As Crianças e o Reino de Deus
Depois do evento da transfiguração (Mt. 17:1-13), os discípulos interrogam a Jesus sobre quem era o maior no Reino de Deus (Mt. 18:1). A pergunta dos discípulos revela a compreensão que eles tinham sobre a organização de todos os aspectos da vida.
Para eles, até o Reino de Deus tinha uma arrumação piramidal, hierárquica, centralizadora. Os discípulos haviam internalizado inconscientemente a mentalidade do Império Romano. A interrogação dos discípulos-oprimidos trazia consigo a marca do modelo de sociedade que o império-opressor impunha violenta e arbitrariamente.
Para curá-los desta mentalidade, Jesus responde com uma parábola viva. Assim sendo, Ele chama uma criança (Mt. 18:2)e a coloca no meio dos discípulos. A criança é símbolo dos “humildes de espírito”, isto é, daquelas pessoas que não tem nenhum sentimento de pretensão ou auto-suficiência diante dos outros nem de Deus. Logo, para Jesus, o maior no seu Reino é aquele que deixa todas as suas ambições, para ser alguém que serve despretensiosamente.
Consoante Rubem Alves, Deus criou o ser humano pra brincar com Ele no paraíso. Todavia, os homens perderam o paraíso quando deixaram de ser crianças brincantes para se tornarem adultos trabalhantes.
Li esta semana a estória de uma criança que ao ver o mar pela primeira vez disse ao pai: “Pai, vem cá! Me ajuda a ver!”. Precisamos com a humildade da criança da nossa estória, Pedir a Deus que nos ajude a ver a vida como ele a vê.
Quem vê a vida na perspectiva divina, a contempla com as lentes da graça. A graça nos leva a ver a vida de forma simpática, alegre, esperançosa, apaixonante, misteriosa… É no mistério da existência que Deus se revela de forma amorosa, misericordiosa, graciosa, envolvente…
A minha esperança é que vejamos a vida com a humildade de quem se considera um eterno aprendiz; E que oremos com Adélia Prado: “Meu Deus, me cura de ser grande!”.