Igreja Relevante

Publicado em 5 de outubro de 2007 por Pr. Josias Novais

Indicadores de uma igreja relevante

Texto: Marcos 2: 1-11

Qual o melhor método para uma igreja que pretende ser relevante em seu tempo? G5, G12, igrejas com própositos… No atual supermercado da fé, as opções de métodos eclesiológicos para o crescimento da igreja são vastissimos. Entretanto, quando estes métodos são submetidos a uma ánalise criteriosa evidenciam muitas vezes, grandes fragilidade, deturpações teológicas, bem como intenções puramente mercadólogicas. Não pretendo, todavia, desvalórizá-los totalmente, posto que alguns elementos desses métodos são viavéis, salvo se forem feitas as devidas correções teológicas e se aplicados levando em consideração a realidade histórica e cultural da igreja. O afã obssesivo das igrejas e pastores por esses métodos muitas vezes enlatados e importados, denuncia a nossa incapacidade de ser simplesmente igreja de Jesus orientada e guiada pelo Espirito Santo. Advogo que toda igreja tem uma vocação. Devemos indentificar a nossa vocação para melhor servirmos a Deus servindo a nossa comunidade.

O texto nos apresenta as características de uma igreja relevante. Portanto, a partir da ação altruísta de quatro homens em levar um excluído companheiro até a presença de Jesus, faremos uma analogia com a ação de uma igreja relevante.

Jesus cura o paralítico na sua própria casa (v. 1). Estendendo a idéia, podemos entender que a igreja como casa do Senhor, deve ser espaço de restauração (cura) a fim de inserir os indivíduos na sociedade. A igreja deve ser hospital para os doentes desse mundo.

Igreja deve ser também espaço de perdão, pois ali Jesus perdoa pecados, e, por fim, a igreja deve ser espaço da verdade, pois é assim é que ela desmascara os hipócritas. A igreja de Jesus deve incomodar os doutores da lei e atrair os pecadores. (IGREJA: RESTAURAÇÃO, PERDÃO E VERDADE).

INDICADORES:

I- É movida por atos de fé. “vendo a fé que eles tinham” V. 5

O que motivou a ação altruísta e solidária daqueles homens foi a fé. “Fé é aquilo que nos toca incondicionalmente” disse um renomado Teologo cristão do século XIX. Nessas palavras ele queria dizer que fé é uma confiança tão grande em Deus que vai da planta do pé ao fio de cabelo.

Fé é quando somos possuídos pela presença de Deus. Portanto, ao invés de possuirmos a fé, é ela que deve nos possuir, nos invadir completamente. Fé é o motor que operacionaliza o agir de Deus em nossa vida. A fé é o escudo que nos defende das forças opressoras da vida (Efésios 6:16). A fé nos faz caminhar ao outro e em direção a Deus. A fé é uma abertura para a realidade do divino em nós.

II- É marcada pelo espírito de cooperação. “vieram alguns homens, trazendo-lhe um paralítico” V. 3

No século da competitividade, do ativismo, da individualidade, perdemos quase por completo o “espírito cristão” do cooperativismo. Cooperar é demonstrar para o outro a amplitude da graça de Deus (II Co. 8 e 9). Cooperar também é operar com Deus. Aqui cabe citar o adágio (ditado) popular que diz: “uma andorinha só não faz verão”. A cooperação traz fluidez para os projetos e ações da Igreja. A cooperação é como o óleo na engrenagem do motor. Sem o óleo só há ruído. Sem cooperação a igreja não caminha, não funciona direito.

III- Possui propósitos em comum.

Uma igreja que não tem propósitos não chega à lugar nenhum. Para quem não sabe aonde quer chegar qualquer caminho é válido. Uma igreja não pode viver de cultos sucessivos…Uma igreja relevante sabe aonde quer chegar! E o propósito precípuo, consoante o nosso texto, é conduzir pessoas quebradas à presença de Jesus.

IV- Tem a capacidade de superar as dificuldades. “…removeram parte da cobertura do lugar onde Jesus estava” V. 4

Eles poderiam ter desistido, pois havia ali uma multidão. Tal multidão representa o obstáculo que eles encontraram para a realização do seu objetivo (colocar o homem diante de Jesus). Mas eles não desistem, não era momento para o desânimo, mas um convite à superação. Para eles os obstáculos transformaram-se em estímulos. A criatividade é um excelente ingrediente na superação das crises! Na crise seja criativo! Não podemos permitir que os obstáculos da vida matem a nossa criatividade e o nosso desejo de conduzir as pessoas à presença de Jesus. Como igreja devemos carregar pessoas quebradas. Para ministrar cura ao paralitico eu preciso lembrar que eu sou um paralitico curado. Você só pode amar o pecador se você se sentir um também. Do mesmo modo, carante da graça de Deus!

V- Promove serviço que gera comunhão. ” todos ficaram espantados e glorificavam a Deus” V.12

O poder do espírito é o poder para servir (Atos 1:8). O método evangelístico de Jesus é a comunhão (Jo 17). Quem não vive para servir não serve para viver. Uma missão importante da igreja é servir a comunidade aonde ela está inserida. Temos servido a nossa comunidade? Quando servimos conduzimos as pessoas a glorificarem ao Senhor! O serviço é o útero que gesta e faz nascer a Comunhão. Quando servimos fortalecemos os relacionamentos, promovemos a unidade. Serviço é o amor com trajes de trabalho.

Conclusão: no versículo 11 encontramos a seguinte expressão: “Nunca vimos tal coisa”. Quando estamos possuídos pela fé; Quando cooperamos, quando criativamente superamos as dificuldades e quando provemos o serviço que gera a comunhão experimentamos o NOVO DE DEUS. Que sejamos uma Igreja aberta a realidade do novo de Deus. “Eis que faço nova todas as coisas”!

 

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