A parábola do Deus que dança

Este parábola do cap. 15:11-32 do evangelho Lucano é mais conhecida como a parábola do filho pródigo (que gasta em excesso, esbanjador). Entretanto, gostaria de sugerir dois inovadores nomes para essa parábola. O primeiro é o do Pai Amoroso, a outra é a parábola do Deus que dança. Esta segunda sugestão me chama mais a atenção, pois me faz recordar duma célebre frase do filósofo alemão F. Nietzsche, na boca do seu personagem Zaratustra. Assim diz Ele: “Eu só poderia crer num Deus que soubesse dançar”. “Dançar é não ter o espírito de peso; é com leveza, pôr-se incessantemente no devir das coisas, nesse eterno destruir e criar de tudo que existe“. Segundo a compreensão Aristotélica Deus não passa de um motor imóvel. Portanto, crer num Deus que dança é deixar de acreditar num Deus estático, imóvel, deísta, para confiar num Deus teísta, que se mobiliza, que caminha conosco, que se movimenta, que vem ao nosso encontro à procura de um relacionamento de amor. Relacionamento de amor com a humanidade, sempre foi o desejo de Deus, Ele mesmo que queria caminhar, passear com o ser humano, foi trocado pela prepotência humana de querer para si todo saber, quebrando assim os limites que o Senhor Deus estabelecera para o  próprio beneficio de toda criação.Um grande problema em torno dessa parábola é a nossa compreensão quanto o personagem central do texto. Comumente, pensamos que o personagem principal dessa novela é o filho que chamamos pródigo mas a pessoa notável do texto é o Pai ( figura alusiva à Deus).

Contudo, antes de viajarmos nessa novela faz-se necessário algumas informações preliminares, para então pontuarmos as lições principais desse texto, elas que serão o pão nosso de hoje.

O que é que motiva Jesus a contar esta parábola? A parábola do filho pródigo faz parte de uma série de parábolas do capítulo 15 do evangelho de Lucas que geralmente denominamos de as parábolas dos perdidos e achados, no entanto, parece-me que todo o capítulo 15 pretende instaurar uma nova compreensão sobre Deus. Aqui, Jesus re-inventa, re-imagina Deus. E dessa experiência pedagógica de Jesus, nasce uma figura linda, apaixonante. Sendo assim, ao invés de um Deus sisudo e distante (apresentado pelos fariseus), aparece um Deus alegre e achegado. Jesus revela a face oculta de Deus, ofuscada pelas Leis opressoras e excludentes dos fariseus, mas revelada reluzentemente pelo Filho, a saber: Jesus de Nazaré.

“A parábola é uma história que nunca aconteceu para que aconteça sempre” (Rubem Alves). A parábola, assim como todo texto, não pertence a si mesmo. O texto é uma janela sempre aberta a um novo olhar. 

 

1-      Fora de Deus não há liberdade, tudo é opressão.

Essa afirmativa encontra evidência e respaldo na vida do filho mais novo. Comumente, confundimos liberdade com autonomia. Autonomia é pretender viver sem Deus. Liberdade é assumir com Deus um compromisso de caminhada.Ser livre não é fazer tudo o que eu quero, ser livre é ter a coragem de viver a vontade de Deus. Liberdade é caminhar no deserto confiando irrestritamente no Senhor. Com o filho pródigo aprendemos: a) as amizades podem ser convenientes; b) os prazeres são passageiros; c) a sociedade animaliza.

 

2-      Precisamos re-inventar a imagem de Deus.

A compreensão que temos de Deus determinará os rumos da nossa espiritualidade. Cada filho na parábola tinha uma imagem do seu Pai. Para o mais velho o Pai era um ingrato, para o mais novo apesar da desobediência o Pai era amoroso (o receberia de volta, em nenhum momento ele duvidou disso) e justo (tratava bem seus empregados). Muitas pessoas não se relacionam bem com Deus pois tem uma compreensão deformada d’Ele. Muitos filhos projetam a imagem do seu Pai em Deus. Um Pai truculento, déspota um Deus de igual forma. Se quisermos saber quem Deus é, é só olhar para Jesus. Jesus é a imagem exata, perfeita do SER de Deus. “Jesus é a imagem de quem Deus é, e a imagem daquilo que os homens deveriam ser” Leonardo Boff.

3-      Tem gente perdida na casa do Pai.

O Filho mais velho está perdido em sua própria casa. A casa do Pai é espaço de perdão, misericórdia, amor, graça (alegria), celebração, mas o filho mais velho ainda não havia sido alcançado por nenhuma dessas realidades. Eu só me encontro em Deus quando amo. O amor nos possibilita um encontro com Deus e em Deus. O filho mais novo acabara de se encontrar com o amor do Pai enquanto o mais velho estava perdido em sua ira, desencanto e desafeto.

CONCLUSÃO: ILUSÃO: Pensar que há liberdade fora de Deus; Pensar que Deus se reduz a imagem que a religião pinta d’Ele; achar que servimos a Deus quando não amamos! Que o Senhor tenha misericórdia de nós!

2 Comments

  1. A Série Crescimento reúne obras de alguns dos melhores escritores cristãos, trazendo soluções bíblicas para problemas pessoais bem conhecidos, como solidão, angústia, rejeição, entre outros, que podem ser superados através dos conselhos apresentados pela Palavra de Deus.

    Veja mais no livro “A parábola do Deus que dança”, recomendo

  2. Pr.Josias.

    Eu nunca,tinha lido esta passagem, vendo deste modo,gostei muito.
    Temos mesmo que re-inventar a imagem de Deus, realmente cada filho tem uma imagem do seu pai.Hoje nós vemos muitos filhos e até mesmo família perdidas dentro da sua própria casa.

    Deus continua abençoando a sua vida,sua família e o seu ministério.

    Um forte abraço da irmã em Cristo.

    Railda.
    PIB de Mussurunga.

Leave a Comment

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

*

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>