Vencendo o mal com o bem – Romanos 12:17-21

Nosso senso de justiça e nossa religiosidade possessiva nos colocaram historicamente enquanto igreja, como juízes, atribuindo a incredulidade de grandes homens da era moderna somente à impiedade dos seus corações. Mas, o que faz com que um coração mergulhe na impiedade da negação de Deus e na rejeição de qualquer comportamento ou cultura religiosa?

“Que maldade você não cometeria para acabar com a maldade” (B. Brecht). Basta lermos um pouco da história da Igreja pós-apostólica até a Inquisição para compreendermos essa nossa herança de justiceiros, de seres superiores. A sede de poder de líderes religiosos e a falta de humildade em reconhecer erros e se aproximar dos simples, levou “grandes homens de Deus” a mergulharem na lama da mentira, da corrupção, da violência e da vingança (inclusive nas igrejas) a qualquer pensamento contrário às suas idéias manipulatóras.

“Em nome de Deus” ignorantes foram mortos, opressos foram queimados e miseráveis indigentes foram expurgados por atos com o nome de cruzadas evangelísticas. Demonstrações vaidosas de poder “em nome da justiça”.

Tomamos muitas vezes o mal para justificar o combate ao mal. Não toleramos o ignorante, mas usamos de nossa ignorância para não assumirmos responsabilidades com o próximo, e dizermos que o próximo é somente os domésticos da fé quando o texto básico nos diz que até o meu inimigo é o meu próximo (v.20). Lutamos contra homens e assumimos inimigos, quando a Bíblia nos ensina que a nossa luta não é contra o sangue e a carne (Ef. 6:12). Não nos envolvemos com política, mas como “cidadãos honestos” preferimos assistir o mundo se acabar nos seus delitos e pecados. “Quem sabe que deve fazer o bem e não faz comete pecado” (Tg. 4:17).

O deus que os homens rejeitam é o deus que coloca o religioso acima do bem e do mal, que afasta o homem do seu próximo em nome da pureza e da justiça.
A Igreja mostrou ao mundo em deus deformado, tirano, e poucos homens chamados cristãos ousaram, a exemplo dos apóstolos (I Cor. 4: 9-13), ser imitadores de Cristo. Vemos nos nossos tempos muitos homens, “em nome de Deus”, enganando multidões de ignorantes com promessas de prosperidade pela vida fácil. Mentirosos e enganadores que estimulam os que os conhecem a odiar ao Deus que eles pregam com lábios mas negam com atitudes e intenções. Não façamos o mal por mal. Mas vençamos o mal com o bem que, como servos de Deus em Cristo, não nos cansamos de fazer.

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