RELIGIÃO: “A regra de fé e prática” – 2 Timóteo 3:15-17

Publicado em 22 de novembro de 2007 por Ataíde Borges

Meu irmão, minha irmã em Cristo Jesus, não se escandalize com a afirmação do referido título. Mas há diferença entre aquilo que deveria ser e aquilo que é. Em conformidade com a Palavra de Deus, os batistas declaram na sua Confissão de Fé de 1689 “A Sagrada Escritura é a única regra suficiente, certa e infalível de conhecimento para a salvação, de fé e de obediência”. Porém, praticamente todas as religiões têm demonstrado que o discurso doutrinário, as normas e a tradição assumida, tornam-se “a regra” para a vida de seus membros.

Jesus Cristo não fundou uma religião; pelo menos, não defendeu o controle das pessoas através de ordenanças, o emprego de meios incoerentes para alcançar seus objetivos e o uso de motivações atraentes para conquistar fiéis. Jesus foi religioso, se considerarmos a sua relação com o Pai e o seu amor ao ser humano; mas difere totalmente dos líderes religiosos, manipulando através dos discursos, controlando o acesso à informação.

A religião sobrevive por meio de um consenso social, uma convenção, em constante transformação. Os tempos mudam, a religiosidade muda, os ritos e as motivações se diversificam. A religião, mesmo que protestante, cria seus próprios dogmas: existe um lugar adequado para cultuar a Deus, há uma maneira adequada de se apresentar no culto, a finalidade de culto; algumas práticas são condenáveis, porém não mudam; outros hábitos são intoleráveis; há uma preocupação com a aparência e tudo que parece promover o coletivo é defendido; porém pouca importância é dada à experiência de cada um. Jesus diz que é cegueira coar um mosquito e engolir um camelo (Mt 23:24)

Entre o período apostólico e a reforma protestante, o povo praticamente não conhecia a Bíblia, nem mesmo os teólogos dispunham dos recursos de pesquisa que atualmente conhecemos: bíblias de estudo, chaves bíblicas, concordância, etc. Por isso, a força da tradição eclesiástica, ainda viva.

A tradição eclesiástica não é sagrada, é humana; por isso que “em nome de Deus” muitos pecados foram cometidos: vinganças, assassinatos, manipulação do rebanho, exploração em prol de interesses próprios, etc. O que mais entristece ao acessar sites de ateus, céticos e outros perseguidores da religião, ao ler seus argumentos radicais, é que os fatos, as estatísticas horrendas ao longo da história, cometidas pela religião, são verdadeiras.

O evangelho de Jesus não pode permanecer preso, na estrutura tradicional da religião, mas deve ter um novo significado, através da experiência espiritual que cada crente deve nutrir por intermédio de Cristo. Os princípios e valores que norteiam a vida cristã, poderiam se basear na vida devocional que cada crente mantém, na sua compreensão da Palavra de Deus e no seu relacionamento com Deus.

 

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