Pensando em Liderança

Por conta da eleição da nova diretoria da nossa igreja, gostaria de imprimir nesta pastoral, de forma sucinta, a minha compreensão do que significa liderar. Tomarei como fundamento das minhas idéias o capítulo 13:1-20 do evangelho joanino.

O capítulo 13:1-20 do evangelho de João narra o episódio do lava-pés. No Vv. 4 e 5 lemos: “Levantando-se (Jesus) da ceia, e tomando uma toalha, cingiu-se (amarrou na cintura) com ela. Depois colocou água numa bacia, e começou a lavar os pés dos discípulos, e a enxugá-los com a toalha com que estava cingido”. Lavar os pés, naquele tempo e cultura, era um trabalho destinado para os escravos não-judeus ou para as mulheres que deveriam lavar os pés dos seus senhores. Sentar-se para participar das refeições era privilégio das pessoas livres naquele modelo de sociedade.  Contrariando a lógica do seu contexto social, Jesus se coloca em pé, ou seja, na posição de escravo. Bem como, tira o manto de mestre abrindo mão de todo mérito ou posição social e, em seguida, amarra uma toalha na sua cintura para lavar os pés de seus discípulos. Na perspectiva de Jesus, liderar é servir. É caminhar na contra-lógica do poder. É transformar as armas do poder em instrumentos para o serviço. Quem deseja liderar a partir de Jesus, só necessita da toalha e da bacia do serviço.

No versículo 6 lemos: “Aproximou-se Simão Pedro, que lhe disse: Senhor, tu vais lavar os meus pés?”. Pedro entra em cena e discorda da postura do seu mestre. Simão, representa, como Judas, aquelas pessoas que seguem a Jesus, mas ainda não se encontraram, não discerniram a sua identidade de discípulo. A reação de Simão Pedro sinaliza para o fato de que ele acreditava numa sociedade de desiguais, isto é, de servos e de senhores (uma arrumação piramidal). Deste modo, ele não admite que o seu senhor lhe lave os pés. Os pés na simbologia do corpo representa: missão (Ef. 6:15; Is. 52:7). Ao lavar os pés Jesus estava orientando a missão dos seus discípulos. Era necessário tirar a poeira da assimilação diabólica de poder banhando os pés nas águas do serviço. O poder quando não é discernido à luz da vida e missão de Jesus se torna uma instância desagregadora, ditatorial, totalitária.

Que a liderança da nossa igreja carregue nas mãos a bacia e amarrada na cintura a toalha do serviço. Após lavar os pés dos discípulos Jesus retoma o seu manto e volta a sentar-se (v.12). Entretanto, a toalha do serviço continuou amarrada em sua cintura. Donde se infere que o serviço não é um favor que a igreja presta a comunidade na qual está inserida, antes, é a expressão máxima da sua vocação.

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