Construindo o novo a cada ano
Por conta do prenúncio deste novo ano, gostaria de dialogar ligeiramente com o poeta brasileiro Carlos Drummond de Andrade em sua poesia “Receita de Ano novo”.
Há um grande caminho a percorrer durante o ano. No caminho teremos derrotas, vitórias, confirmações, desilusões, avanços, retrocessos, tristezas, alegrias, encontros, desencontros tudo naturalmente faz parte da nossa caminhada.
Apesar dessa diversidade, há, porém, algumas direções claras que nos desafiam. Desejamos caminhar em graça, misericórdia, amor e serviço.
Esse é um desafio que pertence a todos e que depende de cada um, mas que não pode ser alcançado individualmente. Somente em comunidade, em mutualidade, no eterno aprendizado de ser servo, é que poderemos esperar melhores resultados nesse empreendimento, que se constitui um desafio conjunto e comum de nossa vida.
Na sua receita, nosso poeta em tom de antítese, denuncia tudo aquilo que não devemos fazer para alcançar o novo ano. A receita de Drummond foge a trivialidade, a previsibilidade, a performance das “boas ações”, ao otimismo ingênuo. Tudo que fizermos no final do ano ou que prometermos fazer no ano vindouro, deve ser um reflexo da nossa conversão diária aos valores do Reino de Deus.
Portanto, somos convidados por Drummond a discernir a significação do ano novo: “Para ganhar um ano novo que mereça este nome, você, meu caro, tem de merecê-lo (…), eu sei que não é fácil, mas tente, experimente, consciente. É dentro de você que o ano novo cochila e espera desde sempre.”




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