O novo de Deus no contexto do amargo e do doce de nossa vida
Em apocalipse capítulo 21: 1-6 temos a descrição da cidade do cordeiro. O arranjo social desta cidade se contrapõe a cidade dos homens, caracterizada pela opressão, exploração, acúmulo, mentira e injustiça.
O livro do apocalipse nasceu do útero da perseguição que o império romano impunha as comunidades de Jesus do primeiro século da era cristã. A linguagem do apocalipse é rica em símbolos e metáforas; Recurso lingüístico usado pelas comunidades cristãs para driblar a marcação violenta e sanguinária de Roma. É neste contexto de opressão, morte, desencanto e falências que João e as comunidades de Jesus conseguem ver o NOVO DE DEUS!
No v.3 temos a imagem da tenda. No Antigo testamento, Deus tinha uma tenda particular. Entretanto, agora, ele acampa com todo o povo debaixo da mesma lona. O texto aponta para um deslocamento espacial do sagrado: Deus abandonou o céu e veio morar na terra com as pessoas. Aqui, temos a doçura da companhia divina!
No v.4 temos a doce promessa consolo contrastando com a realidade amarga da violência. Num contexto de amargas tristezas, somos convidados e desafiados pelas comunidades do apocalipse a saborear a doçura do consolo divino!
No v.5 temos a imagem de alguém assentado no trono. A imagem do trono evoca poder, soberania. As comunidades olhavam para o trono da história e viam o Senhor assentado nele. Mesmo em meio a tantos desencantos e desordens as comunidades conseguiam visualizar a soberania de Deus!
Por conseguinte, no v.6, aquele que está assentado no trono dirige algumas palavras a João. Elas são verdadeiras e fiéis. Uma denuncia do discurso falso, mentiroso e infiel do sistema romano. Aquele que está assentado no trono diz: 1) Está feito: O cordeiro já pagou o preço! Não precisamos fazer barganhas. 2) Eu sou o princípio e o fim: A significação plena da vida, da história e da humanidade se encontra em Jesus. 3) Darei de graça da fonte da água da vida: Na cidade do cordeiro a vida é gratuita. Nela não há exploração.
Que neste novo ano, experimentemos a doçura do novo de Deus, que não nega o amargo no cardápio da existência, mas que re-significa tudo, trazendo vida, sentido, colorido.