Profetas em tempos em Crise

Publicado em 12 de junho de 2008 por Pr. Josias Novais

Sendo hoje o DIA DO PASTOR, gostaria de refletir um pouco sobre o ministério pastoral e seus desafios na contemporaneidade. Deste modo, lançarei mão do texto de Isaías 6:1-8 a fim de estabelecer um sucinto diálogo como a premissa “Profetas num mundo em crise”.

Não me cativa a idéia de pensar o ministério pastoral a partir da figura do sacerdote. Sacerdotes são homens do templo, figuras que pretensiosamente se consideram mediadores dos seres humanos com o sagrado. Gosto dos profetas, embora me se sinta constrangido a me considerar um. Profetas são pessoas que tem a árdua missão de denunciar a opressão, questionar as estruturas dezumanizantes, sofrer com e pela palavra que anuncia. Seu espaço é o mundo. Sua mensagem geralmente não agrada, principalmente aos que estão assentados nas cadeiras do poder.

Conforme o v.1, a vocação do profeta Isaías se dá num contexto de profunda crise em Israel. O rei Uzias havia falecido. A morte do rei representava oscilação e turbulência em todas as esferas, da religiosa a econômica. Analogamente, salvaguardando as devidas diferenças históricas e culturais, estamos inseridos num mundo onde “tudo que é sólido se desmancha no ar”. Nas palavras do pastor Marcos Monteiro “um momento histórico de falências em todas as suas possibilidades, com uma notável ausência de fundamentos”. Compete aos pastores refletir sobre os descaminhos e caminhos do nosso tempo, denominado de pós-modernidade. Assim sendo, ou dialogamos com o nosso mundo para buscarmos discernimento ou continuaremos a ser ‘igrejas anacrônicas’, cuja mensagem e prática não respondem as inquietações e anseios atuais.
Neste bojo de falências, Isaías declara “eu vi o Senhor sobre um alto e sublime trono”. O rei da nação estava morto, mas o Senhor de Isaías estava vivo! Não existe uma crise que eu enfrente que Deus não esteja presente! Precisamos encontrar os vestígios do sagrado nos escombros pós-modernos! A santidade (estabilidade) de Deus “Santo, santo, santo é o Senhor dos exércitos” é a antítese da condição de pecado (instabilidade) do profeta. Ele diz: “sou um homem de lábios impuros e habito no meio de um povo de impuros lábios”. Entretanto, não existe boca suja que não possa ser tocada pela brasa viva da graça restauradora de Deus! Isaías se sentia parte da sua nação. Donde se infere que os pastores, bem como as igrejas devem se sentir parte integrante da comunidade. Os pastores, especialmente, precisam se sentir mais pecadores e menos santos. (Parábola do fariseu e o publicano). Esse é o caminho da graça!

 

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