Espiritualidade da Oração

Publicado em 2 de agosto de 2008 por Pr. Josias Novais

Estamos estudando às terças-feiras sobre a Espiritualidade da oração nas cartas do apóstolo Paulo. Assim sendo, gostaria de destacar algumas lições que estão embutidas nas orações registradas na carta à comunidade de Éfeso (1:15-23; 3:14-21). Suas epístolas, geralmente, iniciam e terminam com oração. Paulo não encontrava nenhuma dificuldade em ser teólogo e homem de oração. Escrevia orando e orava escrevendo.

Na perspectiva de Paulo, a oração é um misto de pedido e agradecimento. Pedimos e agradecemos porque reconhecemos que a graça de Deus é capaz de operacionalizar transformações impossíveis à nossa natureza humana decaída. É a partir do discernimento do favor imerecido de Deus e do reconhecimento da sua incapacidade pessoal que o apóstolo dobra os seus joelhos.

Paulo sempre iniciava as suas orações agradecendo (1:16). A gratidão deve anteceder a petição. A expressão “não cesso de dar graças” sinaliza para um agradecer contínuo, ininterrupto. O apóstolo agracede a Deus pela fé e o amor dos irmãos de Éfeso. Paulo nos ensina nesta oração que a comunidade de fé em Jesus é necessariamente a comunidade de amor às pessoas (6:23). Peçamos a Deus, que a semelhança da igreja de Éfeso, nossa igreja desenvolva uma fé transbordante de amor e um amor possuído de fé!

Em Efésios 3:20,21 encontramos a seguinte declaração: “Ora, àquele que é poderoso para fazer muito mais abundantemente além daquilo que pedimos ou pensamos segundo o poder que em nós opera; A esse glória na igreja, por Jesus Cristo, em todas as gerações, para todo o sempre. Amém.” Na oração, compreendemos que não conseguimos dar conta daquilo que Deus pode realizar em nós apesar do que somos.

A expressão grega “muito mais abundantemente” significa literalmente mais do que o máximo. Paulo, cujo significado é pequeno ou menor do que o mínimo, confessa a limitação do seu pedir e do seu pensar ante a infinitude do amor e da graça de Deus. A oração é o encontro entre as superabundantes possibilidades divinas e as impossibilidades humanas.Destarte, para discernir os princípios que foram abordados até aqui, precisamos pedir a Deus que nos dê “espírito de sabedoria e revelação no pleno conhecimento dele e iluminação dos olhos do nosso entendimento”, posto que só conhece o Mistério- d’Aquele que se dá a conhecer- quem através da ação sobrenatural do Espírito Santo tem a coragem de olhar para Ele com os olhos do coração.

 

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