Gemidos e Esperança

Publicado em 2 de junho de 2009 por Pr. Josias Novais

O capítulo oito de romanos é a síntese da teologia desta carta. É o capítulo do amor de Deus, da esperança, da intercessão do Espírito Santo, mas é também dos gemidos. Consoante o “espírito” do referido texto, os nossos gemidos estão entremeados com a nossa esperança. Tal perspectiva nos livra das falácias do discurso teológico triunfalista que apregoa que os dramas da existência humana podem ser solucionados com palavras mágicas e fórmulas simplistas. Nosso coração deve descansar na certeza de que para cada gemido de dor existe um suspiro de esperança em Deus!

Pensando em suspiro lembro-me da panela de pressão. Na tampa desta panela existe uma peça chamada ‘pito’. O pito da panela é o seu suspiro. Uma das suas finalidades é impedir que a panela estoure no momento em que ela está sob o calor do fogo. Muitas vezes somos submetidos ao calor do fogo da provação, das lutas, das batalhas e pressões da vida. Deste modo, metaforicamente, se não fosse o pito da esperança a panela da nossa vida explodiria! É possível suportar os sofrimentos com coragem por causa da esperança da glória, como nos diz o irmão Paulo (v.18).

A palavra gemido é recorrente no texto em questão (Vv. 22,23). Paulo nos fala sobre alguns gemidos e sobre a nossa esperança para cada um deles.

1-Gemido Cósmico: a natureza geme como em dores de parto. Em nosso século esta imagem bíblica parece ganhar mais nitidez. Temos visto o nosso planeta morrer lentamente. A ressurreição de Jesus, porém, acende a luz da esperança de que toda criação será redimida!

2- Gemido Existencial: gememos pela culpa que o pecado gerou em nós. Aprovamos o bem e reprovamos o mal, mas o nosso coração caído inverte a ordem das coisas. Desejamos aquilo que veementemente rejeitamos. Na morte de Jesus, entretanto, recebemos a carta da liberdade, posto que n’Ele não há nenhuma condenação (v.1).

3- Gemido Teológico: vivemos no mundo da espada, da peste, da perseguição, da nudez, do perigo, em suma: vivemos num mundo sem fé. Logo, sofremos nele pela fé que carregamos no coração e que assumimos na vida. Num mundo auto-suficiente, viver pela fé significa crer que somos amados por Deus. Que nenhuma força seja ela terrena ou espiritual pode nos desvincular dos laços eternos do amor divino. No amor de Deus todo gemido se transforma em sinfonia de esperança!

 

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