Ceia e Esperança

No capítulo 11:17-34 da sua primeira carta aos Coríntios, o apóstolo Paulo instrui a igreja em Corinto sobre a significação existencial e teológica da Ceia do Senhor. Entre os irmãos daquela igreja a ceia estava perdendo o sentido profundo da sua celebração por conta da falta de discernimento. A ausência de discernimento consistia em divisões internas, embriaguez, individualismo, glutonarias, enfim. Após esta breve exposição da situação vivencial que circunscreve o texto, gostaria de destacar algumas expressões desta porção bíblica, a fim de elucidar algumas dúvidas e desconstruir alguns equívocos relacionados a Eucaristia (nome grego para ceia).

“Todo aquele que come e bebe indignamente será culpado de pecar contra o corpo e sangue do Senhor”. À luz do contexto, comer indignamente significa não discernir o sentido da ceia. Sabemos que diante de Deus, só o Cordeiro (Jesus) é digno (Ap. 5:12). Foi a dignidade do cordeiro que nos dignificou! Sendo assim, o que se pede é que a nossa vida não seja uma negação do sacrifício que nos redimiu e salvou. Sua vida é uma afirmação ou negação da graça que lhe alcançou?

“Examine-se cada um a si mesmo, e então coma do pão e beba do cálice”. O apóstolo apela à consciência dos irmãos. O Espírito Santo nos auxilia nesse auto-exame. Ele age em nossas consciências convencendo-nos do pecado, da justiça e do juízo. Não podemos examinar a vida dos outros, senão a nossa e isso com a ajuda do Espírito da Verdade. A ceia não deve ser um tribunal de culpas, mas uma festa de celebração do perdão divino! Infelizmente, a falta de discernimento tem produzido medo e constrangimento num momento em que deveria ser celebrado o amor de Deus que nos aceita incondicionalmente!

“Em memória de mim”. Celebrando a ceia atualizamos o sentido da morte e ressurreição de Jesus. Ao celebrarmos a ceia estamos dizendo: Senhor, jamais nos esqueceremos do teu tão grande amor! Assim sendo, é nosso desafio manter viva a memória d’Aquele que transformou a cruz de violência do império romano em símbolo do amor divino!

“Porque sempre que vocês comem deste pão e bebem deste cálice, anunciam a morte do Senhor até que Ele venha”. A ceia é também um momento de celebração da esperança última da igreja: a volta de Jesus. Na ceia alimentamos a esperança de que o Noivo em breve voltará. Enquanto esse dia não chega faz-se necessário alimentar o fogo da esperança com o azeite do amor! Deste modo, possuídos por esta bendita esperança não deixamos de clamar: “MARANATA, ORA VEM SENHOR JESUS!”

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