A igreja que queremos SER

O tema desta pastoral é o título da nossa nova revista da EBD. Os estudos sobre esperança no apocalipse de João ficarão para o último trimestre do ano. ‘A igreja que queremos ser’ será o nosso desafio de reflexão para este trimestre que se inicia. O desejo de sermos mais sempre acontece em rota de colisão com aquilo que somos. Entretanto, tal desejo aponta para uma legítima esperança, pois nos projeta para o futuro, para novas possibilidades de sermos, efetivamente, um sinal do Reino de Deus na história humana.

Revisitando alguns textos sobre esperança e correlacionando com o tema acima citado, reencontrei-me com um filósofo marxista – Ernst Bloch- que deu a esperança um lugar central no pensamento do homem. Segundo ele, a esperança faz parte da estrutura humana, pois o ‘homem’ é um ser fundamentalmente voltado para o futuro.

Um dos conceitos-chave da filosofia da esperança de Bloch é o ‘ainda-não’. Do ‘ainda-não’ se desenvolve toda a realidade, cujos fatores principais são: o homem (fator subjetivo) e o mundo (fator objetivo). O ‘ainda-não’ é o terreno das possibilidades, que, para quem tem esperança, é tão real quanto a própria realidade.

Obviamente que ainda não somos a igreja que desejamos/podemos ser. Questiono-me: Será que desejamos ser mais ou já nos acostumamos com o que somos? Será que uma igreja de quase 73 anos está realmente disposta a redesenhar o seu jeito de ser? Talvez o primeiro passo para sermos o que desejamos, seja desaprendermos a ser quem somos. Como cantarola um pensador brasileiro “seja você mesmo, mas não seja sempre o mesmo”.

Ainda não somos uma igreja engajada socialmente na nossa comunidade. Ainda não somos uma igreja aberta ao diálogo com a nossa cultura. Ainda não somos uma igreja flexível às mudanças. Ainda não somos uma igreja atenta as mudanças que ocorrem no mundo. Ainda não somos uma igreja que discipula com alegria e eficiência. Ainda não somos uma igreja profética que denuncia as injustiças dos sistemas perversos e espoliadores. Ainda não somos uma igreja disposta a comprometer-se com a radicalidade da missão vivida por Jesus. Minha esperança, porém, “é que aquele que começou a boa obra irá completá-la em nós, até o dia de Jesus Cristo” (Filipenses 1:6).

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