O Anúncio do Nascimento e da Infância de Cristo – Lucas 1 e 2
Introdução
Desejo examinar minuciosamente com vocês o capítulo 1 e 2 do evangelho Lucano. Para facilitar a nossa análise vou dividi-la em blocos.
Nosso texto nos anuncia algumas lições. Quem tem ouvidos para ouvir ouça o que o Espírito tem a nos ensinar nesta manhã! (tem pessoas que ouvem mas não escutam)
Prefácio
Lucas dirige o seu evangelho a Teófilo, que significa “amigo de Deus”. O evangelho de Lucas foi escrito para os amigos de Deus. Segundo os historiadores, Teófilo era um oficial romano que havia aceitado a Cristo e que precisava ser fortalecido em sua fé. Teófilo era um homem em busca da verdade. Assim sendo, Lucas escreve o seu evangelho a fim de instruir, de ensinar os fundamentos da fé cristã ao neófito Teófilo.
Conforme esta informação, somos desafiados pelo texto a instruir, a consolidar as pessoas na sua fé em Cristo. A Escola bíblica deve ser esse espaço de consolidação, de instrução, de aprendizado.
1-João- preparando o caminho (Vv. 5-25)
1.1 Nada pode frustrar (impedir, obstaculizar) os planos do Senhor! Zacarias já era um ancião e sua esposa estéril e também já avançada em idade. A efetivação dos planos de Deus (a efetivação dos planos de Deus na história não dependem necessariamente da nossa participação, embora Deus não a exclua. Deus é soberano!) não são paralisados por conta das nossas impossibilidades, mas ultrapassa e vence todas elas. Em vez de olhar para Deus pela fé, o sacerdote olhou para si mesmo e sua esposa e resolveu que o nascimento de um filho era um acontecimento impossível. Zacarias havia se esquecido do que Deus havia feito por Abraão e Sara (Gn. 18:9-15; Rm 4:18-25). Zacarias significa “Deus lembra”. Deus se lembrou dele mas ele se esqueceu de que “para Deus nada é impossível” (1:37). Será que as nossas limitações são empecilhos para o Todo-Poderoso? Agindo Deus quem impedirá? Ex: Multiplicação dos pães . O milagre sempre acontece quando depositamos nas mãos de Deus o que temos. Milagre é manifestação autêntica da graça de Deus!
1.2 Quem não acredita no que Deus pode fazer deve ficar de boca calada. A incredulidade gera surdez, cegueira e mudez espiritual. Inicialmente o texto deseja apresentar um contraste entre a atitude de um velho sacerdote e de uma jovem diante dos mistérios de Deus. O que os diferencia é a sensibilidade. Não quero dizer com isso que os jovens são mais sensíveis que os anciãos. A questão aqui não é cronológica. O que está em pauta nessa discussão é a sensibilidade do coração, que conforme o nosso texto independe da idade!
2-Maria (26-56)
2.1 “O Espírito Santo descerá sobre ti”. No Gênesis, o Espírito de Deus pairava (equiv. ave chocando os ovos) sobre as águas. Em outras palavras, é o Espírito que dá luz ao universo. É esse mesmo Espírito que participará agora da re-criação do mundo. Em Jesus, Deus estava re-criando e re-conciliando consigo todas as coisas. O Ventre de Maria tornou-se o santo dos santos para o Filho de Deus!
2.2 O texto não fala que Jesus foi criado pelo Espírito. Se Jesus é Deus logo não pode ser criado. Jesus foi gerado pelo Espírito e por Maria. Jesus, é Deus gerado no útero da humanidade. “Jesus é a imagem daquilo que Deus é e do que os homens deveriam ser” L. Boff
2.3 O útero de Maria tornou-se um altar de adoração. Assim, a partir do exemplo de Maria somos desafiados a fazer da nossa vida um altar de adoração a Deus.
3-Nascimento de Jesus
3.1 O nascimento de Jesus nos fornece a chave para decifrar os mistérios profundos da existência. Em Jesus, Deus estava entrando na nossa história.
3.2 “Vindo a plenitude dos tempos, Deus enviou seu filho, nascido de mulher…” Gl. 4.4 Quando Jesus foi crucificado, segundo o evangelho de Lucas, foi colocada uma placa no topo da cruz com a frase (em letras gregas, romanas e hebraicas- INRI) irreverente e sarcástica: Jesus, o rei dos judeus!
3.2.1 Jesus veio na plenitude econômica dos tempos (Romanas). Roma pretendia ser a regente de todo mundo habitado. O Império Romano estava no seu auge econômico e político.
3.2.2 Jesus veio na plenitude intelectual dos tempos (Gregas). A filosofia grega circulava por todo mundo.
3.2.3 Jesus veio na plenitude religiosa dos tempos (hebraicas). O judaísmo pretendia ser a religião oficial de todo mundo.
3.3 Segundo os cânticos de Maria e de Zacarias, em Jesus, Deus estava visitando seu povo para redimi-lo, para salvá-lo. O termo redimir significa libertar mediante o pagamento de um resgate. Redimir é cancelar, desconsiderar uma divida. Jesus cravou na cruz a cédula de divida que era contra nós, e sobre o inferno e a morte triunfou! Já o termo salvação, transmite a idéia de saúde, sanidade. A salvação do Senhor é um convite de uma vida saudável para este mundo doente.
4-Belém (casa do pão)
4.1 O Pão da vida nasce na casa do pão. Jesus: o alimento de Deus para o mundo. Em Jesus, somos alimentados e desafiados a alimentar. “A falta de pão na mesa do pobre denuncia a ausência de espiritualidade no altar do cristão” Carlos Queiroz.
4.2 “porque não havia lugar para eles na hospedaria” (2.7c). Comumente se fala que a hospedaria estava cheia por isso não havia lugar para Jesus nascer. Essa é uma possibilidade. A outra possibilidade é que não havia lugar apenas para eles, pois Maria segundo o costume e tradições da época estava imunda, por conta do parto recente.
4.3 Nossa igreja precisa ser uma Belém. Lugar aonde o pão da vida é encontrado. Lugar aonde as pessoas são alimentadas com perdão, com misericórdia, com graça, com amor.
5-Pastores
5.1 A expressão “até Belém” (2.15) indica que aqueles homens estavam a uma certa distância da cidade, mas se dispuseram a fazer a viagem para ver o Cristo de Deus! Para buscar a Deus é preciso disposição. É preciso sair da sua zona de conforto. Nenhum esforço é grande demais quando a minha meta é encontrar a Deus! No versículo 16 aparece o verbo “acharam”, que significa que eles encontraram o menino depois de investigar. Quem procura a Deus o encontra. “Buscar-me-eis e me achareis quando me buscardes de todo coração” (Jr. 29:13)
6-Circuncisão
6.1 Jesus era um nome popular (José, Maria, João, Antonio Etc). Jesus vem da mesma raiz de Josué, que significa “Deus é meu libertador, Deus é minha salvação”. Em outras palavras, Deus pediu a Maria que o batizasse com um nome do povo. A sua identidade estava ligada as camadas populares.
6.2 Maria e José ofereceram a Deus um par de rolas ou dois pombinhos pois eram pobres, conforme levitico 12:2,6,8.
6.3 A circuncisão hoje é no coração. Não é mais uma prática externa, mas interna, existencial. O profeta Jeremias explicita isso muito bem no seu livro: “Assim diz o senhor: Porei a minha lei no seu interior, e a escreverei no seu coração”. É a nova aliança!
7-Simeão e Ana
7.1 Em Simeão aprendemos que é pura enrascada morrer sem conhecer (ver) o Cristo de Deus. Quem se encontra com o Cristo de Deus faz da morte uma amiga. Conhecer a Jesus é tudo! Espantosa é a sensibilidade deste ancião diante de uma criança sem poder e dependente.
7.2 Simeão foi conduzido ao Templo pelo Espírito Santo. O Espírito foi o cupido deste encontro de amor. O Espírito continua conduzindo pessoas para um encontro com Jesus.
7.2 Aparece em cena também a anciã Ana. Nunca é tarde para se encontrar com o Cristo. Ele passou a anunciar a todos sobre o menino. Devemos anunciar a todos a redenção de Jequié, do mundo.
8-Menino em meio aos doutores
8.1 Enchendo-se (crescia) de sabedoria. O texto não fala de inteligência. Inteligência é capacidade de compreender conteúdos lógicos e racionais. Sabedoria como capacidade de compreender a ação paradoxal de Deus na história.
8.2 Maria e José se perderam do caminho. Nos perdemos de Jesus quando os nossos interesses mais profundos não estão vinculados ao Reino de Deus. Jesus sempre estará aonde o reino de Deus estiver sendo pregado e vivido. “aonde estiverem dois ou três reunidos em meu nome ali eu estarei” (MT. 18.20). Dois ou três, a questão não é quantidade. O texto evoca a idéia de comunhão. Só há presença de Cristo quando existe comunhão. É na comunhão (partilhar de pão e vida) que ele se revela. Em meu nome, o nome dele evoca libertação, partilha, misericórdia, perdão. Aonde estiverem, ele não condiciona a sua presença a um lugar. Logo, aonde existe comunhão celebrada no nome de Jesus, ali ele está.
8.3 “e era-lhes sujeito”. Aqui faço uma recomendação a todos os filhos, principalmente aos mais jovens, nessa geração rebelde e insubmissa, Jesus se nos apresenta como um modelo de filho a seguir; Sigamos seu exemplo!
CONCLUSÃO
Quero concluir destacando o tema da alegria tão presente nos capítulos que estudamos. A idéia de regozijo ou alegria aparece pelo menos 19 vezes. Maria se alegrou, Simeão se alegrou, Ana se alegrou, Zacarias também se alegrou, os pastores enfim. Boas-novas trazem alegria! Jesus é a boa noticia de Deus ao mundo, Vamos anunciá-lo. Nossa igreja deve ser uma comunidade alegre, simpática, feliz, bonita. A alegria do senhor é a nossa força. Hoje é dia de alegria, é dia de celebração: Deus entrou definitivamente em nossa história!





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