Paulo, Apóstolo da Edificação
A palavra edificação é recorrente nos escritos paulinos. Poderia citar inúmeros textos, mas me servirei de um apenas como base desta pastoral. Refiro-me ao capítulo 3 da primeira carta de Paulo aos Coríntios. Em linhas gerais, o texto mencionado trata das divisões em questão de liderança que existiam naquela comunidade de fé e o desafio de reconhecer, Jesus Cristo, como único e insubstituível fundamento da igreja.
Em Corinto estava existindo, por assim dizer, uma disputa de Egos (“Eu sou de Paulo. Eu sou de Apolo…”v. 4). Na linguagem paulina, aqueles irmãos ainda eram carnais. Por carnal, entenda-se o homem sem a plenitude do Espírito, que confia na força do seu braço, que tenta estabelecer com Deus um relacionamento a partir da justiça própria, que se apóia na lei e seus derivados, que tenta fazer do Corpo de Cristo uma vinha particular. A interpelação de Paulo: “Afinal de contas, quem é Apolo? Quem é Paulo? Apenas servos…” (v. 5), denuncia a postura equivocada daqueles irmãos e ao mesmo tempo revela o profundo discernimento de Paulo acerca da sua atuação no Reino de Deus. Nosso privilégio e recompensa sempre será a possibilidade de servir a Deus servindo as pessoas!
Na contramão desse clube de egos inflamados brigando por poder e notoriedade, Paulo, servo e cooperador, define a igreja como lavoura e edifício de Deus (v. 9). Ser lavoura é estar sob os cuidados do agricultor da vida. Diariamente Ele a rega com as águas do seu amor, aduba com as suas eternas misericórdias e acompanha pacientemente cada etapa do nosso crescimento. Ser edifício, por sua vez, significa ser morada- espaço finito da presença infinita do Espírito de Deus. Santuário de carne e osso onde o Construtor da vida vai edificando os seus propósitos!
Destarte, a palavra fundamento nos remete aos primórdios da filosofia grega, mas, especificamente, aos filósofos chamados pré-socráticos. Eles buscavam na phýsis (a partir de um elemento natural) o fundamento ou o princípio sobre o qual tudo o mais está assentado. Para Tales de Mileto, por exemplo, o fundamento de todas as coisas era a água. Para o apóstolo da edificação, Jesus não é apenas o fundamento da igreja e da nossa fé, Ele é o fundamento da totalidade da vida. Fiquemos, conclusivamente, com suas edificantes palavras: “Ele é a imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação; Porque nele foram criadas todas as coisas que há nos céus e na terra, visíveis e invisíveis, sejam tronos, sejam dominações, sejam principados, sejam potestades. Tudo foi criado por ele e para ele. E ele é antes de todas as coisas, e todas as coisas subsistem por ele. E ele é a cabeça do corpo, da igreja; é o princípio e o primogênito dentre os mortos, para que em tudo tenha a preeminência” Cl. 1:15-18.