O Cordeiro e o Leão
No capítulo 5 do livro do apocalipse temos a menção das duas figuras supracitadas. Diz o texto: “E disse-me um dentre os anciãos: Não chores; eis que o Leão da tribo de Judá, a raiz de Davi, venceu para abrir o livro e romper os sete selos. Nisto vi, entre o trono e os quatro seres viventes, no meio dos anciãos, um Cordeiro em pé, como havendo sido morto…” (Ap. 5:5, 6). As comunidades cristãs do primeiro século viam no simbolismo desses dois animais a realidade do senhorio e da soberania de Jesus Cristo. Entretanto, cordeiro e leão nos reportam em primeira instância a tradição do Antigo Testamento.
Na primeira páscoa registrada no capítulo 12 do livro de êxodo, cada família deveria sacrificar um animal (cordeiro ou cabrito) com um ano de vida, sem defeitos, manchas, macho e o seu sangue deveria ser aspergido nos umbrais das portas das casas dos israelitas a fim de evitar o alcance da décima praga (morte dos primogênitos) que seria lançada sobre o Egito. A primitividade da fé ilustrada nesse ato apontava simbolicamente para o ‘Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo’. Os animais oferecidos pelos sacerdotes judaicos para expiação do pecado do povo, o servo sofredor de Isaías comparado a uma ovelha muda perante seus tosquiadores, o cordeiro manso em Jeremias, eram sinais e profecias do sacrifício eterno que se historicizou na cruz de Jesus.
Já o leão remonta a benção de Jacó ministrada sobre seus filhos, mas especificamente, sobre Judá. Está escrito: “Judá é um leãozinho. Subsiste da presa, meu filho. Ele se encurva e se deita como um leão, e como uma leoa; quem o despertará?” (Gen. 49:9). O leão é símbolo de poder, força, coragem. As comunidades do primeiro século fizeram a releitura dessa tradição. Para elas, Jesus é o leão todo-poderoso capaz de desbancar o império romano violento e opressor com as garras da sua justiça.
Na morte do Cordeiro (Jesus) temos o sacrifício que agradou a Deus definitivamente. Não há possibilidade de barganha, pois já está consumado! O sangue desse sacrifício nos cobre e nos purifica de toda a injustiça. O cordeiro foi a cruz e durante dois dias ficou em silêncio. Nas primeiras horas do terceiro dia, porém, bradou o rugido do Leão de Deus: ‘Ele não está mais aqui, Ressuscitou!’ Na morte silenciosa do cordeiro e no rugido da ressurreição do Leão, nossos eternos motivos de salvação, vida, esperança, paz e celebração.