EBD: Interpretando a vida a luz da bíblia

Desde a tenra idade ouço dizer que a Escola Bíblica Dominical (EBD) é a maior e melhor escola do mundo. Afinal de contas, nela se ensina a Palavra de Deus (Bíblia). Essa Pastoral pretende ser uma singela homenagem (por ocasião do mês da EBD), mas, sobretudo, uma ligeira reflexão sobre o micro-contexto da EBD, suas aproximações e distanciamentos do macro-contexto da vida.  Pois bem, penso que a vida em sua complexidade seja a maior escola de todas. A ebd, a universidade, as escolas enfim, todas as instâncias que trabalham com o conhecimento (ensino e aprendizagem) estão imersas nos rios caudalosos da grande escola chamada vida. A bíblia, por exemplo, é resultado da vivência da fé de um povo. Nas palavras do teólogo Carlos Mesters: “O único livro que Deus escreveu foi a vida. Como não entendemos a vida, Ele permitiu que escrevêssemos a bíblia para podermos interpretar a vida”. Esquecemo-nos de uma obviedade: o nosso livro de fé foi vivido antes de ser escrito!

A partir das considerações assinaladas acima, gostaria de partilhar algumas proposições: 1) Na escola bíblica temos a oportunidade de refletir sobre a vida à luz da bíblia. A experiência de fé do povo de Israel e dos primeiros cristãos podem nos auxiliar no discernimento das nossas experiências. Plugar a bíblia na vida é um dos grandes desafios da nossa escola. Se lermos bem a vida leremos melhor a bíblia!

2) O púlpito, usado numa perspectiva libertadora, é um excelente espaço de ensino. Entretanto, a fala unívoca não permite que dúvidas sejam dirimidas, contribuições sejam partilhadas e intervenções sejam feitas. Deste modo, considero a discussão em grupos pequenos, espaço mais que salutar para uma efetiva assimilação dos princípios da vida cristã. Assim, temos a possibilidade de discutir, enriquecendo o debate. A vida pede diálogo, interação, partilha entre iguais.

3) A EBD é um dos muitos espaços para a consolidação do princípio do ensino. Nossa escola não pode ser sacralizada, ou seja, vista como uma estrutura divina e imutável. A experiência das igrejas norte-americanas- pioneiras desse modelo- precisa ser revisada constantemente à luz da dinâmica da história, das singularidades de cada contexto e cultura e da realidade de cada igreja. A rigidez das nossas estruturas não se compatibiliza com a flexibilidade da vida.

Minha esperança é que a EBD da nossa igreja seja um espaço de reflexão responsável, contextualizada e libertadora sobre o Deus que nos ensina do seu amor na escola da vida.

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