Sobre a Felicidade

No dia 29/05/10 assisti no ‘Jornal Hoje’ uma reportagem sobre um pequeno país monárquico localizado no Himalaia, entre a China e a Índia, chamado Butão. O curioso neste país é que além do PIB (Produto Interno Bruto), isto é, as riquezas produzidas pela nação, eles medem a felicidade, cuja sigla é FIB (Felicidade Interna Bruta). O rei de Butão, interpelado sobre o pálido crescimento econômico do seu país, afirmou que em sua terra o bem-estar da população, sua qualidade de vida é mais importante do que a soma dos bens e serviços finais produzidos. No Brasil, está em trâmite no senado federal uma emenda constitucional que prevê a garantia e o direito a busca da felicidade. Tal emenda encontra respaldo num movimento (‘Mais Feliz’) articulado por artistas e intelectuais brasileiros, destacou o repórter Evaristo Costa.

A partir da referida reportagem fiquei pensando sobre um possível significado da iniciativa Butanesa. Num tempo onde a economia domina, onde o dinheiro é o escopo fundamental do mundo, a FIB de Butão aparece como uma ponta de esperança, alertando-nos que a vida humana é mais valiosa que produção, acúmulo, enriquecimento e consumo, conforme a ideologia do sistema capitalista selvagem que nos circunda. E que, no mínimo, toda riqueza produzida deve ter reflexos concretos e positivos na vida das pessoas. Mas será que a felicidade pode ser medida? No caso do Brasil, será que uma lei garantirá efetivamente que o nosso povo seja feliz? O espaço aqui é insuficiente para aprofundarmos nossa reflexão sobre o tema em questão. Não contive, porém, a vontade de partilhar algumas idéias.

Concordo com o Pr. Ed René Kivitz quando afirma no seu livro ‘Vivendo com propósitos’: “A felicidade não é um lugar aonde se chega, mas sim um jeito como se vai”. Kivitz ainda propõe a troca do termo felicidade por contentamento. A palavra contentamento deriva do latim ‘contentu’ (contido), que nos remete a idéia de conteúdo. Logo, contente ou feliz é a pessoa que sabe extrair o conteúdo de cada situação, inclusive que sabe explorar as riquezas que há em si mesmo. Que sabe emprestar significado aos pequenos momentos da vida. Que apesar dos percalços do caminho teima em continuar caminhando fortalecido pela fé no seu Senhor (Leia: Fp. 4:10-13).

Concluo com a sábia sugestão do poeta brasileiro, Olavo Bilac: “Que fazer para ser como os felizes? AMA”.

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