Cegueira e Visão
O saudoso escritor português José Saramago, em seu livro, “Ensaio sobre a cegueira” apontou, a meu ver, algumas cegueiras que acometem o mundo ocidental. O consumismo, o individualismo, a competição são algumas das cegueiras que afetam o nosso olhar. O referido livro que serviu de base para um filme que leva o mesmo título, mostra com nitidez o grau de desumanização a que podemos chegar. A cegueira física só fez acentuar a cegueira que já estava nos corações. Logo, a pior cegueira não é aquela que atinge os olhos, mas a que desensibiliza e desumaniza o ser.
Pensando nisso, lembrei-me da narrativa do cego de nascença no evangelho de João (Cap. 9). Os discípulos fazem uma pergunta sobre o cego, mas que na verdade revelou a cegueira deles: “Mestre, quem pecou este ou seus pais para que nascesse cego?”. Para o judaísmo, nenhum castigo que viesse de Deus poderia impossibilitar o homem ao estudo da lei. Contudo, o que para os discípulos era desgraça, para Jesus era a possibilidade da manifestação da Graça de Deus. Disse Ele: “Nem ele nem os seus pais, mas para que nele se manifeste as obras de Deus”.
Lembrei-me também de narrativas atuais, que estão bem próximas de nós. O ir. Adenor de saudosa memória e recentemente a ir. Maria (mãe de Aidê) ensinaram-me profundas lições a esse respeito, digo, ver além do que os olhos físicos podem apreender. Ver a vida com mais esperança. Ver o melhor da vida! 1) Adenor morava numa casa muito modesta, havia perdido uma perna e por causa da diabetes também estava com a visão muito afetada. Entretanto, as poucas vezes que estive com ele, fui impactado com a visão que tinha do agir de Deus em sua vida. Sua visão da bondade do Senhor era capaz de converter qualquer um, inclusive o pastor dele. Disse-me certa feita: “Pastor, não posso mais ler a Bíblia, mas a Palavra de Deus está em meu coração”. 2) A pedido de Aidê fui visitar sua mamãe que tem 96 aninhos. Ao chegar em sua casa, fiquei sabendo que ela havia feito uma cirurgia nos olhos sem muito êxito. O que faltava aos olhos sobrava em serenidade e simpatia. Ao perguntar sobre a sua fé, ela disse prontamente: “Eu já entreguei o meu coração ao Senhor”. Fez, porém, uma ressalva: “O problema é que eu não posso ir à igreja”. A declaração da sua fé em Jesus abriu os meus olhos e respondi: “a Sra. não pode ver o caminho que leva a igreja, mas seu coração já viu o caminho que leva ao Pai”.
Portanto, assim como o cego de nascença desejo lavar os meus olhos nas águas do enviado de Deus para ver diariamente as manifestações do seu amor. Desejo ver a vida como Adenor, na perspectiva da gratidão. Desejo ver a vida como Maria, com mais lucidez e alegria. Senhor, abre os olhos do meu coração!
Olá pastor. Sinto-me grandemente abençoada com as pastorais.Leituras que confortam, ensinam, desperta o coração para sermos melhores crentes. Tenho sido abençoada e minha igreja também. Sou membro da IBCentral em Jaconé Saquarema.Sou ministra de música e o meu esposo o pastor da igreja.Deus falou ao meu coração dando conforto ao ler uma das pastorais porque o meu irmão tinha falecido naquele dia.Deus te abençoe o seu ministério e sua família.