Mais que palavras

Vivemos numa sociedade de discursos. São discursos políticos, discursos religiosos etc. Vários estudiosos têm se debruçado sobre esse tema, que se tornou objeto de investigação de uma disciplina chamada análise do discurso. A proposta de um novo objeto chamado “discurso” surgiu com Michel Pêcheux na França, em sua tese “Analyse Automatique du Discours” em 1969.

Esta breve contextualização a título de introdução, tem como objetivo chamar a atenção para a palavra “discurso” que se encontra imbricada no tema escolhido pelos jovens de  nossa igreja para nortear as discussões desta semana. O termo “palavras” presente no tema em questão não deve ser e não o é, de fato, tomado em seu sentido literal, antes nos remonta ao cançaso experimentado por muitos de nós em relação aos muitos discursos que ouvimos cotidianamente e que encontram pouca ou nenhuma implicação em nossas práticas diárias.

Frequentemente nos deparamos com verdadeiras enxurradas de palavras que não mais nos comunicam, devido a já tão conhecida dicotomia “teoria X prática”. É muito comum ouvir no meio evangélico o clichê: “Ele se diz cristão, mas…” Essa afirmação aponta para, pelo menos, duas possibilidades de interpretação: ou a expectativa do falante é exarcerbada e desumanizadora em relação a nós cristãos, ou, de fato, nossa conduta tem se distanciado daquilo que foi proposto e vivenciado pelo Cristo de Deus.

Acreditamos que essa conduta, fruto de uma experiência de conversão e fé, precisa desembocar no compromentimento de cuidado com o outro, no zelar da criação  de Deus, no desafio constante de uma vida mais amorosa, mais bondosa, menos malediscente, menos egoísta, mais engajada com o que se diz crer, mais encorajadora das práticas que estão a serviço dos valores do evangelho que pretendemos anunciar.

Como jovens cristãos comprometidos com o plano salvífico de Jesus Cristo, precisamos nos angustiar diante das palavras vazias, sem interferência nas vivências em sociedade. Precisamos nos comprometer com uma indissociável conexão entre a verdade do nosso coração e o que sai da nossa boca. Precisamos ainda aprender a nos calar quando não houver em nós essa verdade, visto que as muitas palavras poderão convencer o ouvido do homem, mas não tocarão o coração d’Aquele que é O Todo – Sabedor. Com isso não estamos dizendo que tudo o que considerarmos verdade deveremos proferir, afinal, o convite do evangelho é para uma prudência no dizer.

Prossigamos pois, amparados por Aquele que fez do que anunciava a mais pura verdade de Sua existencia. Não nos conformemos, até que olhemos para nós mesmos, e testificados pelo Espirito Santo, possamos dizer: vivo o que creio e o que anuncio, na minha vida é possível que outros sejam testemunhas de “mais que palavras.”

Fannie S. P. Novais

Leave a Comment

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

*

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>