Palavra e Autoridade

“E maravilharam-se da sua doutrina, porque os ensinava como tendo autoridade, e não como os escribas” (Mc. 1:22). Consoante o referido versículo, a AUTORIDADE era o elemento que diferenciava o ensinamento de Jesus do discurso religioso dos escribas. Um princípio nos conduz ao discernimento desta questão: não podemos dissociar o conteúdo da pessoa que o comunica. Logo, quem é Jesus? Quem são os escribas?

Os escribas eram mestres da Torah, especialistas da lei judaica. Seus discursos estavam sempre apoiados na autoridade da tradição rabínica.  Usavam roupas especiais, formavam sua escola, tinham discípulos que os serviam como criados, ocupavam os lugares de honra nas funções religiosas e banquetes e eram saudados com grande respeito pelas ruas. No entanto, para eles, o culto a Deus autorizava o esquecimento das obrigações mais sagradas com o próximo. Concebiam a relação com Deus em termos de culpa e/ou mérito, ou seja, Deus é o grande juiz que premia ou castiga as pessoas de acordo com a fidelidade ou infidelidade as suas leis.

Por outro lado, se quisermos saber quem é Jesus e discernir porque o seu “discurso de autoridade” causava admiração no povo, basta que olhemos para o restante da narrativa da qual o versículo supracitado faz parte.  O texto (Mc. 1:21-28) localiza Jesus em Carfanaum, num dia de sábado, ensinando na sinagoga e libertando um homem que estava possuído por um espírito imundo. O “discurso de autoridade” de Jesus visa a libertação de tudo aquilo que aliena, desagrega e destrói a vida humana. O discurso de Jesus é a sua ação em favor da vida. A sua autoridade era o seu jeito livre e libertador de ser Deus. O seu ensinamento era uma comunicação que transbordava da abundância do coração. Era um testemunho do que ele mesmo vivia.

A autoridade dos escribas era imposta pela titulação (mestres da lei). Eram “respeitados” pela indumentária (traje especial) que os diferenciava dos “mortais iletrados”. Assentavam-se nos lugares de prestígio dos eventos religiosos e sociais.  No evangelho de Marcos, o “título” de Jesus é: Filho de Deus. A sua postura de vida confirmava tal “titulação” como verdadeira. Não vestia roupa especial, posto que sua missão era “costurar a vida” das pessoas com o tecido novo do evangelho. Ensinou que no Reino de Deus o que se considera o primeiro é o último e vice-versa, que é melhor servir que ser servido. Portanto, uma coisa é TER autoridade, outra coisa é SER AUTORIDADE.

Meus amados JOVENS, na perspectiva desta reflexão, apresento-lhes o desafio de uma vida radicalmente comprometida com os valores do Evangelho de Jesus, que se configure numa autoridade mais vivencial, menos retórica. Lembremo-nos: “O discurso convence, mas é o exemplo que arrasta”.


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