Quando o demolir é necessário ao edificar
Em algumas situações torna-se impossível edificar se não estivermos dispostos a demolir. Não conseguiremos edificar uma nova realidade na nossa igreja se não tivermos a coragem de demolir velhos conceitos, posicionamentos e atitudes. O “Eu, porém vos digo” de Jesus como contraponto à espiritualidade dos fariseus e saduceus tinha como seu fundamento “o que foi dito pelos antigos” ou Moisés como sinônimo da torah (lei) nos remete inevitavelmente a essa idéia.
Assim sendo, temos de um lado a interpretação farisaicamente hipócrita da Lei, sua rigorosidade, seu literalismo, seu zelo pela exterioridade. Do outro, Jesus e sua ética centrada na vida, sua proposta libertadora, sua compreensão do ‘espírito’ da lei, a verdade que liberta. Os antigos disseram: “não cometerás adultério”, Jesus, porém diz: “Se você olhar para uma mulher com intenção impura no coração já cometeu adultério”. A interpretação de Jesus do sétimo mandamento é, por assim dizer, demolidora. Desmascara a hipocrisia daqueles que não necessariamente levavam uma mulher, que não a sua, para a cama, mas cujo coração era um prostíbulo de malícias e perversidades. Neste prisma, a verdade do evangelho só é edificada em nós, quando demolimos a presunção de viver a partir da lei. O nosso apego ao “que foi dito pelos antigos”, não permite que ocorra em nós uma legítima experiência com o “Eu, porém vos digo” que liberta para a vida plena.
O apóstolo Paulo escrevendo aos gálatas parece concordar com a minha tese. Ao longo da sua carta, Paulo exorta a igreja da Galácia a demolir o ‘prédio’ da circuncisão (Gl. 6:15), a ‘torre’ da dissimulação que tinha em Pedro sua referência, posto que ele se ‘comportava como camaleão’, mudando de ‘cor’ a depender da situação e ambiente (Gl. 2:7-16). O apelo paulino é enfático, não podemos caminhar na Graça, se estivermos apoiados nas muletas da lei e seus derivados. O fruto do Espírito (Amor) só pode ser edificado na vida daquele que confia que pela Graça de Deus é possível demolir as obras da carne (Gl. 6:16-26). Na perspectiva de Paulo, o que somos, somos pela Graça!
Pensando na nossa realidade, o que precisamos demolir para edificarmos uma nova realidade em nossa igreja? Vamos demolir a indiferença com o amor, vamos demolir o ódio com o perdão, vamos demolir o individualismo com a comunhão, vamos demolir o egoísmo com a generosidade… Acrescente a lista o que precisa ser demolido e edificado! A edificação de uma nova comunidade de fé depende também de você! E então? Qual a sua resposta?
Tristeza que edifica
Tudo que provém de Deus é tão benéfico à nossa vida que até a tristeza segundo Ele nos é saudável e necessária. Pelo menos é o que foi dito pelo apóstolo Paulo na segunda carta dirigida a igreja de Corinto. Diz ele: “Porque a tristeza segundo Deus opera arrependimento para a salvação, da qual ninguém se arrepende; mas a tristeza do mundo opera a morte” (2 Co. 7:10).
A lembrança deste texto me ocorreu quando lia o segundo capítulo do livro de Neemias para meditação do culto de terça (16/02/10). Neemias estava muito triste por causa da situação caótica de Jerusalém e do seu povo. Neemias (copeiro), que sempre se apresentava ao Rei Artaxerxes com a alegria no rosto, não pôde disfarçar a tristeza que tomava conta do seu coração.
Depois desta leitura fiquei a pensar num tipo de tristeza que faz bem a nossa alma, que nos devolve a sobriedade, que não permite que fiquemos alienados ante ao caos que está a nossa volta. Tristeza semelhante a de Neemias que se instala em nós como fruto da compaixão, capacidade de sentir a dor do outro como se fosse nossa. Tristeza divina na perspectiva de Paulo que produz arrependimento, isto é, expansão da consciência, coragem para refazer a vida e repensar valores.
Prosseguindo na leitura do capítulo dois de Neemias cheguei ao versículo dez que registra a revolta e o descontentamento (tristeza diabólica) de Tobias e Sambalate por causa dos planos de Neemias que objetivavam a reconstrução das muralhas de Jerusalém, bem como a reconstrução da vida do povo de Israel. A tristeza dos opositores de Neemias é o ápice da maldade e perversidade humana, posto que pior do que não ter compaixão de ninguém, é se entristecer com a compaixão dos outros.
Assim como o rei viu a tristeza do rosto de Neemias por causa do seu povo, que se veja no nosso rosto a tristeza pela destruição do planeta; que se veja no nosso rosto a tristeza pela vida humana que tornou-se descartável; que se veja no nosso rosto a tristeza pelos jovens destruídos pelo crack; que se veja no nosso rosto a tristeza pela espiritualidade consumista e individualista que ganha notoriedade em nossas igrejas… Que se veja tristeza em nós, posto que a tristeza como sinônimo de lucidez e como convite ao arrependimento faz um bem imensurável à nossa vida!
Palavras que Edificam
“Nada é onde falta a palavra” essa assertiva aponta para a importância da palavra. A Bíblia também confirma isso quando relata que o mundo veio a existir a partir da palavra criadora e criativa de Deus (“E disse Deus: haja luz. E houve Luz” Gn. 1:3) ou quando Deus dá ordem ao homem para criar o mundo conceitual, dando nome às coisas (“…e tudo o que Adão chamou a toda a alma vivente, isso foi o seu nome. E Adão pôs os nomes a todo o gado, e às aves dos céus, e a todo o animal do campo…” Gn. 2:19,20).
Nesta pastoral, entretanto, quero sublinhar uma palavra que não deve fazer parte da nossa vida. O apóstolo Paulo escrevendo aos efésios nos diz qual é: “Não saia da vossa boca nenhuma palavra torpe, mas só a que for boa para promover a edificação, para que dê graça aos que a ouvem” (Ef. 4:29). Numa leitura imediata pensamos que palavra torpe refere-se a palavras de baixo calão, palavrão ou de cunho chulo. A palavra grega para torpe é saprós que significa ‘podre’. Neste versículo o apóstolo destaca o uso formativo da palavra já que no versículo 25 do mesmo capítulo ele havia apresentado o caráter informativo da mesma. Nesta perspectiva, as nossas palavras podem formar ou deformar, podem ser canal da graça ou instrumento da desgraça, podem ser caminho do crescimento ou porta da corrupção.
A palavra torpe está num contexto de relacionamento. Logo, a palavra podre pode destruir a vida do outro, estraçalhar seus sonhos, esmagar seus sentimentos. O que me espanta é que muita gente, supostamente piedosa, é incapaz de pronunciar um palavrão, mas é capaz de proferir contra o seu irmão palavras tão duras e impiedosas a ponto de arrasar uma vida por muito tempo. Não seria a palavra que destrói o outro o pior de todos os palavrões?
Destarte, somos desafiados pelo apóstolo Paulo a pronunciar palavras graciosas, palavras que edificam, que constroem no outro realidades de paz, de esperança, de justiça e de amor.
Encontros e Despedidas
Esta semana tive uma experiência que marcou profundamente a minha vida ministerial. As experiências, quando discernidas, nos ajudam na edificação da nossa história, nos permitem revisar e repensar a nossa vida e nossa postura diante dela, promovem maturidade e inevitavelmente se desdobra em riqueza de aprendizados.
Estive quarta-feira (03/02/10) na casa do Pr. Júlio de Santana e Enildes a fim de revê-los depois do mês de férias. Ocasionalmente apareceu Wilma que também passou a comungar do nosso diálogo. Depois de horas de conversa tive que retornar para casa a fim de levar Fannie ao trabalho. Deixei programada para o dia seguinte uma visita a ir. Maria Marcelo, sogra de Wilma, que estava enferma e muito debilitada. No outro dia pela manhã (04/02/10), ao chegar ao gabinete pastoral, recebi a notícia do seu falecimento. Confesso que se eu soubesse que o dia da despedida estava tão perto, não teria adiado o nosso encontro. Na quinta-feira a tarde despedimo-nos da irmã Maria. Ela, por sua vez, foi ao encontro do seu Senhor. A imprevisibilidade da despedida nos desafia a valorizar cada possibilidade de encontro com o outro. A partir dessa experiência, sinto-me desafiado por Deus a valorizar nesta vida cada possibilidade de encontro.
A vivência na igreja e também fora dela nos possibilita muitos encontros. Na igreja, em destaque, encontramos pessoas com suas debilidades e potencialidades (como é próprio de todo ser humano). A peculiaridade de cada irmão enriquece a nossa capacidade de estabelecer relações fraternas. Sendo assim, crescemos a cada encontro, pois recebemos um pouco de alguém e damos um pouco de nós; é como se nos multiplicássemos nas pessoas e elas em nós. A Bíblia, em geral e os Evangelhos, em particular nos apresentam essa idéia quando narra os encontros de Deus com o seu povo e de Jesus com diversas pessoas (Samaritana, Zaqueu, Bartimeu etc.), especialmente com indivíduos rejeitados pela religião oficial e pela sociedade de então.
Destarte, cada encontro trás consigo também a possibilidade de desencontros. Oremos ao Senhor para que pelo poder da Sua graça e do Seu amor possamos construir uma igreja que saiba lidar com os desencontros e que não perca a oportunidade de ser espaço de encontro com Deus e de encontro com o outro.
Entre Esperança e Edificação
Durante o ano que finda, dedicamo-nos a examinar os mais diversos assuntos relacionados ao nosso tema gerador: a ESPERANÇA. Pensamos sobre os fundamentos da Esperança que há em nós, nas formas em que o nosso Deus a alimenta cotidianamente e também na necessidade de nos retroalimentarmos enquanto corpo de Cristo. Certamente são inúmeros os desafios que trazemos no peito e é pulsante o nosso desejo de sermos presença esperançosa num mundo de tanto desalento.
Entretanto os nossos desafios enquanto Igreja de Cristo não findam por aí. O tema proposto para a nossa reflexão durante o ano que se inicia traz consigo o desafio da EDIFICAÇÃO. Este termo traz para nós, pelo menos, duas vertentes do edificar (poderíamos ainda utilizar os sinônimos: erguer, levantar, construir):
1)Edificação do espaço, sentido físico: sabemos que, à luz do novo testamento, o ser humano é o templo do Espirito Santo. O Espírito de Deus, portanto, não habita mais em templos feitos por mãos humanas (mentalidade que vigorava no antigo testamento). Entretanto, essa consciência não nos habilita a descuidarmos do nosso espaço físico, da nossa casa de oração, espaço no qual o povo de Deus se reúne para a adoração em comunhão. “Subi ao monte, e trazei madeira, e edificai a casa; e dela me deleitarei, e serei glorificado, diz o Senhor”. Ageu 8:1
2)Edificação do corpo de Cristo, sentido existencial: a nossa natureza caída tende ao movimento oposto àquele sugerido pelo verbo – levantar, erguer – constantemente nos pegamos em atitudes pertencentes ao velho homem, àquele que não teve um profundo e real encontro com o Cristo de Deus. Assim, levantamos falsos contra os nossos irmãos, somos egoístas em nossas atitudes e não nutrimos um coração puro. Muitos de nós imaginamos que, por estarmos constantemente na igreja, já estamos com a nossa alma plenamente edificada. Edificação é um projeto que levaremos conosco enquanto durar a nossa existência. Aqueles que andam com o Senhor precisam revelar a imagem d’Ele, para que o Seu nome seja glorificado em nós!
Para que possamos prosseguir com o projeto de edificação ao qual estamos nos propondo na orientação do Espírito de Deus, não poderemos abrir mão dos preciosos ensinamentos sobre a Esperança que tivemos neste ano, visto que precisaremos ser diariamente revisitados pela esperança em Cristo, em nosso próximo e em nós mesmos. Precisamos crer que juntos somos capazes de construir uma realidade física e existencial melhor do que esta que hoje temos. Precisamos ainda pedir discernimento do Espírito de Deus para percebermos o papel que podemos desempenhar em nossa igreja, a fim de colaborarmos em amor para que os planos de Deus se efetivem entre nós, e para que se cumpra o que o apóstolo Paulo sugere em Efésios 3:17-19 “… que Cristo habite pela fé em vossos corações, a fim de que, arraigados e fundados em amor, sejais plenamente capazes de compreender com todos os santos qual seja a largura, o comprimento, a profundidade e a altura, e de conhecer o amor de Cristo, que excede a todo conhecimento, para que sejais cheios de toda a plenitude de Deus”.
Fannie S. Novais
Esperança Cósmica
A igreja e as mudanças climáticas
Temos assistido e ouvido nos noticiários televisivos o drama do nosso planeta com relação às mudanças climáticas. Mais do que nunca a questão ambiental deve ser inserida na agenda da igreja protestante contemporânea. Infelizmente, a semelhança do ex-presidente dos EUA, George W. Bush, muitas pessoas (cristãos até) acreditam que “o efeito estufa é conversa de cientistas que não acreditam em Deus”.
A conferência em Copenhaga/Dinamarca (07/12/09) aponta para o fato que “devemos reconhecer que as mudanças climáticas podem causar sofrimentos e danos indizíveis, podem cortar o desenvolvimento humano integral e prejudicar a criação. Devemos apoiar, portanto, o desenvolvimento de novos instrumentos financeiros, que permitam enfrentar estes problemas. Precisamos de compromisso na oração comum, na solidariedade com quem sofre os efeitos negativos das mudanças climáticas, numa busca comum de sabedoria e perseverança para mudar os nossos estilos de vida desadequados”.
Diante de tudo isso, indago-me: É possível sonhar com um mundo melhor? Creio que sim! Entretanto, precisamos resgatar alguns valores, a saber:
1) PRECISAMOS RESGATAR A ESPIRITUALIDADE DO CUIDADO. Cuidado com o nosso semelhante e também com o mundo que Deus nos deu. Segundo Boff, “o cuidado é mais fundamental que a razão e a vontade. Se não colocamos cuidado naquilo que fazemos, as coisas se desmantelam e desaparecem”.
2) PRECISAMOS RESGATAR O SENTIMENTO DA COMPAIXÃO. Compaixão pelo planeta, pois na nossa estrutura consta o barro da ‘mãe-terra’! Conforme o apóstolo Paulo: “a criação aguarda a manifestação dos filhos de Deus”. Até quando ficaremos parados ante aos gemidos da criação?
3) PRECISAMOS RESGATAR A ARTE DE AMAR. No mundo do interesse pelo lucro, precisamos de pessoas que sejam cultivadoras da arte quase extinta de amar. Afinal de contas, “Deus amou o mundo” e isso significa que Ele não amou apenas o ser humano, mas toda a realidade criacional.
4) PRECISAMOS RESGATAR A LUZ DA ESPERANÇA. A esperança pode vencer o medo, mobilizando-nos pela transformação do nosso mundo. Mas de onde ela virá? Virá de Deus que é o Senhor da história e a governa segundo seu projeto. Atinemos para as palavras de Rubem Alves: “Não lutamos para ter esperança, temos esperança por isso lutamos”. Saíamos, pois, da nossa postura passiva e indiferente à realidade circulante e façamos a diferença hoje, transformando o planeta em que vivemos e, sobretudo, mudando radicalmente o nosso jeito consumista e egoísta de viver neste mundo.
Por conseguinte, a nossa teimosa esperança nos impulsiona a lutar pelas transformações do nosso mundo mesmo sabendo que o fim é inevitável! Esse é o nosso apocalipse!
Esperança e Apocalipse
Durante o mês de dezembro nos debruçaremos em reflexão sobre o livro do apocalipse na perspectiva da esperança. O autor das lições é o Pr. Marcos Monteiro. Deste modo, cumpriremos a nossa agenda no que diz respeito ao estudo do tema proposto para este ano. Esperança ficará como a palavra-chave de 2009 e como desafio permanente para todos os anos de existência da nossa igreja.
O apocalipse dos livros do NT, quiçá, de toda a Bíblia, é o que mais instiga os leitores, talvez por causa da sua linguagem simbólica, bem como por conta das interpretações equivocadas que fizeram dele ao longo da história do cristianismo.
Consoante o teólogo José Bortolini, para abrirmos as portas de compreensão deste livro aparentemente difícil, faz-se necessário usar as chaves certas. No seu livro ‘Como ler o apocalipse’ ele apresenta sete chaves-interpretativas. A saber:
1) Resistência. Era tempo de perseguição religiosa, opressão política e exploração econômica. Confiando no Deus da liberdade e da vida, o povo explorado se organizou a fim de resistir o Império violento e tirânico.
2) Denúncia. Na força da palavra profética as comunidades de Jesus denunciavam o arranjo social proposto por Roma, bem como as diversas formas de idolatria que sedimentavam uma sociedade injusta e perversa.
3) Celebração. Apesar da perseguição, as comunidades iluminadas pelo poder do ressurreto não deixaram de celebrar a vitória do cordeiro de Deus.
4) Testemunho. Os primeiros cristãos não abriram mão da sua fé em Jesus mesmo que isso implicasse na perda da própria vida.
5) Felicidade. A felicidade manifestava-se na possibilidade de participar do banquete do cordeiro de Deus, ou seja, criando uma sociedade justa e fraterna.
6) Urgência. O tempo está próximo. Enquanto a Nova Jerusalém não chega é necessário resistir, denunciar, celebrar…
7) Esperança. O apocalipse não é o livro do medo, mas da esperança. Por quê? Em primeiro lugar, Deus é o Senhor da história e a governa segundo o seu projeto. Em segundo lugar, o cordeiro venceu para sempre a morte. Em terceiro lugar, a Nova Jerusalém desceu do céu para a terra. É possível viver em esperança neste mundo, pois a cidade de Deus está logo ali, no horizonte da nossa história!
Agora é só abrir as portas e vê na casa do apocalipse o que se parece com a nossa vida hoje!
O Mandamento do Senhor
Encontramos em Deuteronômio 30:11-20 um dos mais belos textos do Antigo Testamento. Esta porção bíblica nos apresenta um projeto de vida fascinante e inigualável, bem como uma convocação para todos aqueles que desejam provar deste manancial de vida plena.
No verso 11 o texto diz: “Ora, este mandamento que hoje te ordeno, não te é difícil demais, nem está longe de ti”. A palavra que na versão em português é traduzida por ‘hoje’, no hebraico é dia (Olam). Assim sendo, o mandamento do Senhor é para hoje, é para o dia. O mandamento é sempre atual, sempre novo. Outrossim, se o mandamento permanecer preso ao passado e não for correlacionado às necessidades e aspirações do homem contemporâneo, ele perde inevitavelmente a sua relevância e significação. A Bíblia é Palavra de Deus porque nos fala existencialmente, porque alcança o homem e a mulher no seu tempo, no seu dia, no seu hoje.
A segunda perspectiva que encontramos no texto supracitado é a proximidade do mandamento. Além de ser sempre atual, ele é também próximo da vida. Atinemos para as palavras dos versículos 12 e 13: “Não está nos céus, para dizeres: Quem subirá por nós aos céus, que no-lo traga, e no-lo faça ouvir, para que o cumpramos? Nem está do outro lado do mar, para dizeres: Quem atravessará por nós o mar para que no-lo traga, e no-lo faça ouvir, para que o cumpramos?”. O mandamento do Senhor não se separa da realidade concreta, isto é, o mandamento não está divorciado da vida, nem distante de nós. O mandamento não é uma palavra do além, mas, instrução para um viver pleno e livre.
A terceira perspectiva do mandamento do Senhor é o seu caráter existencial. No versículo 14 o texto nos apresenta a seguinte verdade: “Pois esta palavra está muito perto de ti, na tua boca e no teu coração, para a cumprires”. Boca e coração fazem parte da simbologia do corpo. Corpo que é também lugar da Palavra. A palavra de Deus tornou-se corpo, nos diz o evangelho joanino. Corpo e palavra fazem parte da mística divina. Jesus, o Cristo, Palavra que se fez gente! O mandamento do Senhor não precisa mais de tábuas de pedra, posto que, definitivamente, a sua palavra está gravada em nossos corações (Jr. 31:33/II Co.3:3)!
Portanto, o mandamento do Senhor é para instruir o ser humano a uma vivência contínua da liberdade e não para burocratizar a vida com leis opressoras e preceitos alienadores.
Resiliência e Esperança
O mundo da Física e da Engenharia emprestou às Ciências Humanas uma palavra notavelmente significante: Resiliência. Ela é a capacidade dos materiais de resistirem aos choques. Também “de absorver energia sem sofrer deformações permanentes” (TAVARES, 2001) e de resistir a situações adversas, sem perder o brilho. “Resilientes” são pessoas capazes de resistir as piores crises sem sucumbir.
A esperança do crente tem esta marca. Falamos muito da paciência de Jó, mas esquecemos que no contexto de suas piores crises, disse: “Eu sei que o meu Redentor vive” (Jó 19:25). Isto é resiliência com esperança e com adoração: “Bendito seja o nome do Senhor” (Jó 1:21).
O médico e psiquiatra austríaco Viktor Frankl (1905 – 1997) decidiu atribuir sentido a tudo o que acontecia e a não perder o horizonte da esperança. Preso no campo de concentração de Auschwitz durante a Segunda Guerra Mundial descobriu que não eram os mais fortes e saudáveis que viviam mais. Os mais “resilientes” eram aqueles capazes de conferir “sentido à vida”. É de bom alvitre que confessemos Cristo como aquele que dá sentido à nossa vida. Ele é a nossa Rocha, sólida e inabalável, e Supridor fiel de todas as nossas necessidades. Alguém diante de quem pode o crente, com confiança, afirmar: “Senhor, a minha esperança está em Ti” (Sal. 39:7).
A esperança do ímpio morre com ele, na sua morte (Prov. 11:7), mas o crente tem uma esperança que lhe é âncora, segura e firme, nos vendavais da vida (Heb. 619), e por isso não sucumbe. Nos momentos escuros e sombrios da vida, ele sabe para quem voltar o olhar, e é iluminado (Sal. 34:5). O Senhor é a sua luz, a Palavra é lâmpada para os seus pés (Sal. 119:05) e Ele pode despertar em sua memória “o que lhe dar esperança” (Lam. 3:21) e, assim, o seu caminho, como a luz da aurora, vai brilhando mais e mais (Prov. 4:18) para a glória de Deus.
Você já tentou medir o tamanho de sua força? Eis aqui uma medida segura e infalível: “Se te mostrares frouxo no dia da angústia, a tua força é pequena” (Prov. 24:10).
As crises de nossa vida medem o tamanho de nossa força e a intensidade da esperança que há em nós!
A batalha pela fé
“Amados, procurando eu escrever-vos, com toda a diligência, acerca da salvação comum, tive por necessidade escrever-vos e exortar-vos a batalhar pela fé que uma vez foi dada aos santos” (Judas 1:3)
Para que Jesus cumprisse o plano da salvação, foi preciso morrer. Cristo teve que sofrer como homem, injustamente, a fim de proporcionar a vida abundante, esse foi o seu preço. Ninguém poderia pagá-lo a não ser o Messias, por isso podemos dizer que temos o Pai Eterno e não padroeiro! Quando você sentiu-se chamado para fazer parte da Igreja de Jesus, esse exército convocado para vencer, Deus colocou em seu coração uma arma capaz de vencer os adversários e derrubar os obstáculos: A NOSSA FÉ!
A vida é uma grande batalha, desigual e alguns estão enfrentando o perigo iminente de frente; pois se temerem, serão abatidos. Outros estão no meio do grupo, compondo o número, integrando as equipes que atuarão em diversas áreas. Outros, porém estão lá atrás, apenas esperando o que irá acontecer, sentindo-se protegidos por todos os companheiros que estão à frente. Foi entregue aos santos, a fé necessária para a vida eterna. Aquela que possibilita confiar em Jesus como caminho para Deus Pai, que acredita no Senhor como resgatador da sua alma, para estar com o Senhor para sempre. O Espírito Santo trouxe para você a fé capaz de manter a alegria, a paz, o poder que Jesus outorgou para que Deus te use, faça a diferença neste mundo.
Mas é preciso batalhar para que sejas rico para com Deus e um instrumento iluminado na terra. Há uma batalha na tua mente, onde o ego tenta resistir à vontade de Deus. Há uma batalha diante dos incrédulos, que procuram desanimar-te e colocar a dúvida em você. Há uma batalha contra as situações duras da vida, para que elas diminuam a sua alegria. Há uma batalha dura contra o adversário espiritual e seus comandados, pois que eles não dormirão na tarefa de intentar roubar-te a paz; a perseguição será grande para que o inferno não seja saqueado e eles estudarão até encontrar o ponto-fraco de cada um.
Porém, a nossa fé é o poder de Deus em nós, para vencermos toda e qualquer potestade. Em Cristo Jesus somos mais do que vencedores!



