Venha celebrar nosso 72º aniversário!
Nesta semana estaremos comemorando 72 anos de existência. Estamos envelhecendo enquanto organização, entretanto, paradoxalmente, experimentamos um rejuvenecimento enquanto organismo vivo de Cristo. Aniversário é momento de alegria, mas também de re-avaliação da caminhada. Na tarefa de re-pensarmos a nossa caminhada e vocação temos descoberto que existimos para servir.
Servir com a toalha e a bacia lavando pés sujos (João 13:1-20) é a imagem de uma inversão completa no campo do poder. As mãos que criaram e sustentam o universo foram as mesmas que tocaram os pés sujos dos discípulos. A exemplo de Jesus somos desafiados e chamados a tocar os pés sujos de todos aqueles que encontrarmos nos caminhos da vida.
Nossas celebrações iniciarão dia 19 (sexta) e encerarão dia 21 (domingo a noite). Estarão conosco o cantor Jorge Camargo (São Paulo) e o Pr. Jocean Pereira (Vitória da Conquista).
Você é o nosso ilustre convidado!
Olhando a tribulação na perspectiva de Deus (Romanos 5:1-11)
Paulo inicia o capítulo 5 de sua carta aos Romanos falando da paz que alcançamos como desdobramento da justificação que obtivemos mediante a fé pela Graça. No v.3 parte a, aparece uma expressão digna de nota “E NÃO SOMENTE ISTO”. Para o apóstolo, o nosso comportamento nas tribulações é que mostrará se realmente encontramos a paz de Deus. Logo em seguida, na parte b do versículo 3, temos uma expressão que ocorre três vezes no capítulo 5:1-11, “E NOS GLORIAMOS”. Paulo se alegrava, exultava também nas tribulações (“vos foi concedido não apenas o crer Nele, mas também o padecer por Ele” - Fp. 1:29). Quem na sua vida odeia a tribulação é porque ainda não se encontrou com a paz de Deus!
Em primeiro lugar, a tribulação produz perseverança. Sempre pensamos que a tribulação é algo improdutivo. Que não produz nada significativo. As escrituras nos advertem quanto a este equívoco. A tribulação produz, acrescenta, gera. O fruto dela é a perseverança, nos diz o texto.
Perseverança significa “permanecer sob”. Não é se livrar da tribulação, mas, sim, carregá-la. Suportar a tribulação como Cristo suportou a cruz. No dia em Paulo ousou pedir a Deus que afastasse dele a tribulação do espinho na carne, a resposta foi “a minha Graça te basta”. Quem suporta a tribulação recebe gratuitamente a suficiência da graça de Deus.
Em segundo lugar, a perseverança produz experiência. A vida cristã não é feita de palavras, mas de experiência. Não estou falando de experiência de vida, mas de experiência com Deus. Quem não é perseverante não experimenta nada!
E finalmente, a experiência gera esperança. A experiência produz esperança porque cada tribulação suportada já é um prelúdio da última vitória. Onde ainda há esperança, pode existir muita fragilidade, mas jamais haverá derrota.
Para aqueles que não têm a paz de Deus o caminho é muito diferente. Como disse Lutero: “Tribulação produz impaciência. Impaciência gera obstinação. Obstinação leva ao desespero. E o desespero confunde tudo”. Isso é o que acontece quando perdemos a Paz de Deus. Todavia, a tribulação só se transforma em esperança na vida daquele que tem a paz de Deus em seu coração. Pense nisso!
Crente Biruta
Antes de julgar herético o tema desta pastoral, leia-a atentamente. Quiçá, no final dela, você concorde com minha tese. Inspirei-me na poesia “Biruta” do cantor-poeta nordestino Roberto Diamanso para a construção desta reflexão. Diz o poeta: “Biruta você me chama/ quem sabe não sou?/ Concordo até!/ Um coador não de pocafé, na posição horizontal/ Quero ser e viver assim tal qual, posto que o vento sopra aonde quer/Coador sem fundo, sem ter onde e nem o que guardar/ sem jamais poder estar cheio em si mesmo, mas que seja existir para orientar alguém que vem de lá vagando a esmo”.
A biruta é um aparelho capaz de mostrar a direção do vento. As birutas são desenvolvidas para fornecer a direção visual de vento de superfície e as informações de velocidade de vento aos pilotos, quando em vôo ou no solo, nos aeroportos ou heliportos.
O que esse aparelho com um nome tão esdrúxulo tem a nos ensinar? É bom frisar que Jesus usava os elementos do cotidiano (videira, água, figueira, grão de mostarda etc.) para falar dos mistérios do seu Reino. Assim sendo, me servirei de um instrumento da viação aérea para falar das coisas que tento discernir sobre o Reino de Deus.
Em primeiro lugar, gosto da esquisitice do nome biruta. Prefiro ser biruta por acreditar na loucura do amor de um crucificado do que na sabedoria da indiferença dos opressores que estão assentados nas cadeiras do poder. Para crer na cruz tem que ser “biruta”, ou na linguagem teológica de Paulo, tem que crer na loucura e fraqueza de Deus, que por sinal, é mais sábia e forte do que a sabedoria e fortaleza humana.
Em segundo lugar, assim como a biruta que fica a mercê do vento, somos desafiados a vivermos na direção do sopro do Espírito Santo. Geralmente o Espírito sopra em direções diferentes das nossas. Todavia, quem caminha embalado pelo sopro do Espírito jamais errará o caminho da vida.
Por conseguinte, uma característica digna de nota é a posição da biruta. Ela é um coador na horizontal. Sua vocação é orientar os pilotos para que o pouso do avião seja seguro. Crente biruta é aquele que orienta os desorientados, que os conduz a uma aterrissagem segura em Jesus Cristo.
Espiritualidade da Oração
Estamos estudando às terças-feiras sobre a Espiritualidade da oração nas cartas do apóstolo Paulo. Assim sendo, gostaria de destacar algumas lições que estão embutidas nas orações registradas na carta à comunidade de Éfeso (1:15-23; 3:14-21). Suas epístolas, geralmente, iniciam e terminam com oração. Paulo não encontrava nenhuma dificuldade em ser teólogo e homem de oração. Escrevia orando e orava escrevendo.
Na perspectiva de Paulo, a oração é um misto de pedido e agradecimento. Pedimos e agradecemos porque reconhecemos que a graça de Deus é capaz de operacionalizar transformações impossíveis à nossa natureza humana decaída. É a partir do discernimento do favor imerecido de Deus e do reconhecimento da sua incapacidade pessoal que o apóstolo dobra os seus joelhos.
Paulo sempre iniciava as suas orações agradecendo (1:16). A gratidão deve anteceder a petição. A expressão “não cesso de dar graças” sinaliza para um agradecer contínuo, ininterrupto. O apóstolo agracede a Deus pela fé e o amor dos irmãos de Éfeso. Paulo nos ensina nesta oração que a comunidade de fé em Jesus é necessariamente a comunidade de amor às pessoas (6:23). Peçamos a Deus, que a semelhança da igreja de Éfeso, nossa igreja desenvolva uma fé transbordante de amor e um amor possuído de fé!
Em Efésios 3:20,21 encontramos a seguinte declaração: “Ora, àquele que é poderoso para fazer muito mais abundantemente além daquilo que pedimos ou pensamos segundo o poder que em nós opera; A esse glória na igreja, por Jesus Cristo, em todas as gerações, para todo o sempre. Amém.” Na oração, compreendemos que não conseguimos dar conta daquilo que Deus pode realizar em nós apesar do que somos.
A expressão grega “muito mais abundantemente” significa literalmente mais do que o máximo. Paulo, cujo significado é pequeno ou menor do que o mínimo, confessa a limitação do seu pedir e do seu pensar ante a infinitude do amor e da graça de Deus. A oração é o encontro entre as superabundantes possibilidades divinas e as impossibilidades humanas.Destarte, para discernir os princípios que foram abordados até aqui, precisamos pedir a Deus que nos dê “espírito de sabedoria e revelação no pleno conhecimento dele e iluminação dos olhos do nosso entendimento”, posto que só conhece o Mistério- d’Aquele que se dá a conhecer- quem através da ação sobrenatural do Espírito Santo tem a coragem de olhar para Ele com os olhos do coração.
Profetas em tempos em Crise
Sendo hoje o DIA DO PASTOR, gostaria de refletir um pouco sobre o ministério pastoral e seus desafios na contemporaneidade. Deste modo, lançarei mão do texto de Isaías 6:1-8 a fim de estabelecer um sucinto diálogo como a premissa “Profetas num mundo em crise”.
Não me cativa a idéia de pensar o ministério pastoral a partir da figura do sacerdote. Sacerdotes são homens do templo, figuras que pretensiosamente se consideram mediadores dos seres humanos com o sagrado. Gosto dos profetas, embora me se sinta constrangido a me considerar um. Profetas são pessoas que tem a árdua missão de denunciar a opressão, questionar as estruturas dezumanizantes, sofrer com e pela palavra que anuncia. Seu espaço é o mundo. Sua mensagem geralmente não agrada, principalmente aos que estão assentados nas cadeiras do poder.
Conforme o v.1, a vocação do profeta Isaías se dá num contexto de profunda crise em Israel. O rei Uzias havia falecido. A morte do rei representava oscilação e turbulência em todas as esferas, da religiosa a econômica. Analogamente, salvaguardando as devidas diferenças históricas e culturais, estamos inseridos num mundo onde “tudo que é sólido se desmancha no ar”. Nas palavras do pastor Marcos Monteiro “um momento histórico de falências em todas as suas possibilidades, com uma notável ausência de fundamentos”. Compete aos pastores refletir sobre os descaminhos e caminhos do nosso tempo, denominado de pós-modernidade. Assim sendo, ou dialogamos com o nosso mundo para buscarmos discernimento ou continuaremos a ser ‘igrejas anacrônicas’, cuja mensagem e prática não respondem as inquietações e anseios atuais.
Neste bojo de falências, Isaías declara “eu vi o Senhor sobre um alto e sublime trono”. O rei da nação estava morto, mas o Senhor de Isaías estava vivo! Não existe uma crise que eu enfrente que Deus não esteja presente! Precisamos encontrar os vestígios do sagrado nos escombros pós-modernos! A santidade (estabilidade) de Deus “Santo, santo, santo é o Senhor dos exércitos” é a antítese da condição de pecado (instabilidade) do profeta. Ele diz: “sou um homem de lábios impuros e habito no meio de um povo de impuros lábios”. Entretanto, não existe boca suja que não possa ser tocada pela brasa viva da graça restauradora de Deus! Isaías se sentia parte da sua nação. Donde se infere que os pastores, bem como as igrejas devem se sentir parte integrante da comunidade. Os pastores, especialmente, precisam se sentir mais pecadores e menos santos. (Parábola do fariseu e o publicano). Esse é o caminho da graça!
O valor de uma vida
Você sabe quanto vale a sua vida? E de seus familiares, amigos, colegas e vizinhos? Qual é o valor da vida?
O preço pela nossa alma não pode ser comprado nem com ouro, prata ou coisa parecida. Não pode ser avaliada pelos padrões humanos, não sofre com os sobe e desce da bolsa de valores. A alma humana não tem índices inflacionários e não está a venda nos mercados econômicos. Por mais que o ser humano atual despreze o valor de sua vida, para Deus, a alma humana tem um valor caríssimo. Pedro fala deste alto preço: “Pois vocês sabem que não foi por meio de coisas perecíveis como prata ou ouro que vocês foram redimidos da sua maneira vazia de viver, transmitida por seus antepassados, mas pelo precioso sangue de Cristo, como de um cordeiro sem mancha e sem defeito” (1 Pe. 1:18,19). O preço pago por Deus foi a vida de Seu próprio Filho, Jesus Cristo.
Sendo assim, não podemos ficar mais parados, imaginando que Deus salvou somente alguns, mas entendermos que a missão que está diante de nós é preciosa e eterna. A vontade do Senhor é a salvação de todas as pessoas. Ele não fica feliz quando um ímpio morre (Ez. 18:23,32), pelo contrário, o desejo de Deus é que todos alcancem a salvação: “O Senhor não demora em cumprir a sua promessa, como julgam alguns. Ao contrário, ele é paciente com vocês, não querendo que ninguém pereça, mas que todos cheguem ao arrependimento.” (2 Pe. 3:9).
Enquanto vemos a cada dia o valor da vida humana ser depreciada pelo próprio ser humano, Deus deseja usar Seu povo na Terra para salvar o que está perdido. Milhares de jovens nas drogas, homens e mulheres sem esperança, crianças vazias de carinho e amor, adolescentes sem perspectiva de vida, todos precisam saber que alguém morreu por eles. E quem irá anunciar uma notícia tão maravilhosa como esta? Você e eu. Precisamos urgentemente ouvir o clamor que vem das ruas e atender ao chamado de Deus que diz: “… Quem enviarei? Quem irá por nós?” (Is. 6:8). Diga sim a Deus, e use seus dons e talentos para falar as pessoas que alguém as ama. Esta pessoa é Jesus.
Parece que foi ontem…
No próximo dia 20/05 estarei completando 1 ano de ministério pastoral em nossa igreja. Quero aproveitar o ensejo deste aniversário para agradecer, mas, também, para reafirmar meu compromisso com o ministério desta amada grei.Quero agradecer a hospitalidade dos irmãos e irmãs. Os convites para almoçar, as palavras de incentivo, o cuidado com a minha saúde e com os pequenos detalhes da minha vida. Sinto-me amado, respeitado e benquisto por vocês!
Meu ministério continuará fundamentado em duas vigas principais: 1) A consciência de serviço, carregando nas mãos a toalha e a bacia. Jamais trocar a toalha do serviço pelo trono da auto-suficiência. 2) A certeza indubitável da presença e companhia de Deus. Posto que, o sucesso da missão não está nas habilidades e potencialidades do vocacionado, mas no poder do Deus vocacionador.
Quero partilhar com vocês algumas premissas que encontrei no artigo “confissões de pastor” escrito pelo Reverendo Evaldo Rocha (Jornal O BATISTA, 16/03/08, p.12). Em concordância com o referido autor, eis aí a minha arriscada, mas comprometida e consciente confissão:
1- Tenho desvendado que pastorear é participar da construção de vidas (1 Pedro 2:25);
2- Tenho desvendado que pastorear é ser um exemplo para os fiéis (1 Timóteo 4:12);
3- Tenho desvendado que pastorear é crer que Deus supre todas as minhas necessidades quando estou olhando para as necessidades dos outros (Filipenses 4:13-19);
4- Tenho percebido que em vários momentos de minha caminhada de fé posso ser pastoreado por aqueles que chamo de ovelhas: isso acontece quando oram por mim, me ajudam em alguma necessidade, me abençoam com palavras e choram comigo;
5- Tenho aprendido que pastorear é olhar com os olhos de Deus para os que não estão sendo vistos pelo mundo;
6- Tenho percebido, no serviço pastoral- aconselhando, ensinando, exortando, pregando, orando- minha própria fragilidade e deficiência (Isaias 6:5).
Por todos estes e outros motivos continuo desejando ser fiel a minha vocação de colaborador no Reino de Deus!
Reino de Deus e Missão
Notas sobre a igreja evangélica brasileira e sua tarefa
1. Reino de Deus e missão: notas preliminares
Não há dúvida: “Jesus pregou o Reino, a Igreja prega Cristo. O pregador agora é pregado” . Desde o início as primeiras comunidades cristãs precisaram pensar sobre o problema de sua missão. Todavia, a tradição sinótica (Marcos, Mateus e Lucas) teve o cuidado de preservar, ainda que envolta em sua própria maneira de interpretar o “evento Jesus” (Bultmann), o centro da pregação do mestre galileu: o reino de Deus . Na opinião de J. Jeremias, a expressão “reino de Deus” (basiléia tou theou, em grego) trata-se de uma das expressões exclusivas da fala de Jesus. Isso não quer dizer que ela não seja encontrada em outras literaturas religiosas, mas quer dizer que ninguém a utilizou antes com tanta freqüência nem com a mesma acepção utilizada por Jesus. Nos lábios de Jesus, a expressão “reino de Deus” está assim distribuída nos evangelhos:
a) em Marcos 13 vezes
b) nos ditos de Mateus e Lucas 9 vezes
c) além disso, em Mateus 27 vezes
d) além disso, em Lucas 12 vezes
e) no evangelho de João 2 vezes
Não existe unanimidade quando se trata de discernir exatamente o que Jesus queria dizer com “reino de Deus”. Ao que tudo indica, nem mesmo os evangelhos souberam pontuar uma definição unânime da expressão. Na atividade e na pregação de Jesus o reino de Deus pode ter muitos significados e aplicações. Em relação ao presente vivido por Jesus, ele poderia ser: 1) a restauração da saúde das pessoas a partir da expulsão de demônios (Mt 12,28; Lc 11,20); 2) uma dimensão íntima e subjetiva da presença interior do reino nos indivíduos (Lc 17,20-21); 3) algo com uma grande potencialidade de proliferação (Mt 13,31-33; 44-52; 20,1-16; 22,1-14); ou 4) estar relacionado com as virtudes e a ingenuidade da infância (Mt 18,1-5). Em segundo lugar, o reino de Deus, na pregação de Jesus, pode ser compreendido escatologicamente, indicando um novo tempo (eon), ou um novo estado de relações marcado pela equidade e pela justiça, cujo poder está unicamente nas mãos de Deus (Mc 1,15; Lc 10,11; Jo 18,36). Em nenhum instante da atividade e da pregação de Jesus o reino de Deus é identificado com qualquer ideologia política ou religiosa em particular, nem com nenhuma forma de instituição do tipo de um judaísmo renovado ou uma nova religião extraída do seio do antigo judaísmo. O reino de Deus pode perpassar as formas institucionais da religião, como também essas mesmas formas institucionais podem ser expressões do anti-reino de Deus. Essa é uma possibilidade escandalosa que deve estar sempre presente na consciência de qualquer forma institucional de cristianismo. A possibilidade de se constituir num anti-reino não ficou restrita aos intérpretes oficiais da Lei dos dias de Jesus (veja Lc 11,45-52), mas é uma tentação perene com a qual as igrejas nem sempre têm sabido lidar. Reclamar para si o status de identificação substancial e exclusiva com o reino é já situar-se no campo do anti-reino, é embriagar-se de uma hybris anticristã e anti-evangélica. Lembremos: o reino é de Deus, e não dos homens.
O escândalo do anti-reino é uma possibilidade assustadora para as formas institucionais do cristianismo, inclusive para o protestantismo evangélico brasileiro. Mais acima chamamos o projeto nazista de anti-reino. Tantas outras ideologias políticas poderiam, semelhantemente, ser adjetivadas da mesma forma, porque castradoras da vida, da liberdade e da dignidade humana de sociedades e de indivíduos. Contudo, não raro o anti-reino se fez presente na história por via das formas institucionais do cristianismo. De outra maneira, é escandaloso ter que admitir que, historicamente, o reino tenha sido afirmado por meio de movimentos, pessoas e instituições distantes das representações oficiais da cristandade. Sempre que a vida foi afirmada, sendo elevada à dignidade que lhe cabe, o reino de Deus esteve presente. Afinal, cremos no princípio pneumatológico de Jesus: “o Espírito sopra onde quer” (Jo 3,8). Onde o Espírito sopra aí a vida é afirmada, e nunca castrada, visto que “onde está o Espírito, aí há liberdade” (2Co 3,17), nas palavras de Paulo . Nessa direção consideramos as palavras de Leonardo Boff (1975, p. 82) dirigidas à realidade latino-americana especificamente, emblemáticas e aplicáveis à experiência cristã e religiosa como um todo:
Nesse nível podemos, crítica e verdadeiramente, constatar que o nome cristão na América Latina serviu, não poucas vezes, para legitimar situações de poder que injustiçavam grande parte da população e que, por isso, eram anticristãs. Representações oficiais do cristianismo se prestaram, as mais das vezes inconscientemente, a sacramentar e a fetichizar um poder ou um regime estabelecido. A utilização do nome cristão aqui é ilegítima; é usurpação. Outras vezes, movimentos ou pessoas que não se agregaram explicitamente ao nome cristão, na verdade, se moveram na esfera radical daquilo que é verdadeiramente cristão. A meditação de Mateus 25 [v. 31-46] na parábola do Juízo Final esclarece o que estamos aqui insinuando. Nem sempre o verdadeiramente cristão emerge onde ele assim de denomina e se autoproclama.
Refletir sobre o significado do reino de Deus, ontem e hoje, significou e significa refletir sobre o conceito de missão evangélica. Como dito acima, já para as primeiras comunidades cristãs essa tarefa não foi fácil. Foi o sentido conferido pelas primeiras comunidades à pregação de Jesus sobre o reino de Deus que determinou sua atividade e seu senso de missão. O livro de Atos dos Apóstolos revela qual era o senso de missão presente no proto-cristianismo, representado por Pedro, Tiago e João, dirigentes da comunidade judaico-cristã de Jerusalém. Para aquela comunidade, missão tinha a ver com os ideais de restauração do judaísmo. Daí sua resistência ao projeto de universalização da experiência messiânica - resistência descrita com lucidez pelo autor de Atos no episódio da pré-evangelização de Cornélio (veja At 10,1-16). Paulo seria o responsável por estender espacialmente a dimensão desse projeto, empreendendo uma evangelização programada nas províncias do Império Romano. No entanto, apesar de esticar espacialmente a experiência messiânica aos povos gentios, isso não quer dizer que Paulo tenha universalizado a idéia de reino de Deus como enfocada por Jesus. Em todas as epístolas que lhe são atribuídas (incluindo as consideradas dêutero-paulinas) essa expressão aparece senão por 10 vezes .
Isso dá uma pequena dimensão da dificuldade sempre presente na história do cristianismo quanto ao sentido da missão evangélica. Os distintos conceitos de missio ecclesiae - missão da igreja - presentes nas diferentes igrejas no Brasil compartilham dessa dificuldade que sempre existiu quanto à definição da natureza do trabalho das igrejas. Parece correto dizer que desde os primórdios a ênfase no reino de Deus dada por Jesus vai sendo negligenciada, já que a Igreja, ou melhor, as igrejas, vão entendendo a si mesmas como a manifestação visível e substancial desse reino. Por isso, agora, no lugar do reino, só há lugar para se pregar o Cristo. O segredo da definição da missão está na compreensão que as igrejas têm de si mesmas. Apenas uma igreja que não entenda a si mesma como plenitude do reino poderá desenvolver um senso de missão parecido com a ênfase de Jesus. Assim, até hoje, pelo menos no interior do protestantismo evangélico brasileiro, perduram as discussões eclesiais refletidas nessas questões:
a) A missão das igrejas reflete-se na sua tarefa pura e simplesmente religiosa, no sentido de plantar as sementes de uma salvação futura e metafísica no coração das pessoas?
b) A missão das igrejas tem por fundamento a atividade social, no sentido de promover ações de libertação, igualdade e justiça, enfatizando sempre o valor da doação e da caridade?
c) A missão da igreja pressupõe sua condição de uma cidadela separada do mundo, em descontinuidade com a toda cultura presente, sendo protótipo da cidade de Deus, para onde as pessoas devem vir quando necessitarem de consolação para as ambigüidades da vida em sociedade?
d) A missão da igreja pressupõe que ela seja parte constitutiva do mundo, estando ligada organicamente a este, sendo mais uma de suas ferramentas na parafernália do bom andamento da máquina chamada “sociedade”?
e) A missão da igreja é a de um guia, ou de uma mãe que conduz seus filhos na senda da verdade, em meio à completa escuridão das ideologias, filosofias e demais religiões concorrentes, presentes com abundância no mundo?
Num quadro bem-humorado essas questões estariam assim:
a) Igreja metafísico-platônica?
b) Igreja político-militante de esquerda?
c) Igreja castelo-divino da consolação?
d) Igreja oficina mecânica social?
e) Igreja mater et magistra?
Na prática, encontramos igrejas evangélicas cuja auto-compreensão engloba apenas uma dessas questões, seja a a, b, c, d ou e. Há igrejas apenas no modelo a. Outras apenas no modelo c, e etc. Noutras, dá-se uma amálgama desses elementos: igrejas marcadas pelos itens b e d. Outras caracterizadas pelos itens a e c. A fragmentação e a relativa independência existente entre as igrejas protestantes permitem essa variedade de auto-compreensões que não ocorre no catolicismo. No entanto, o que considero mais importante na auto-compreensão eclesiológica não é saber qual dos modelos corresponde à eclesiologia bíblica (se é que ela existe) ou à Igreja verdadeira (do ponto de vista da estrutura eclesiológica). Não há como deduzir nenhum modelo eclesiológico do NT, uma vez que este apresenta apenas as fases germinais da organização estrutural das primeiras comunidades. Mais importante, em termos eclesiológicos, é que cada igreja tenha a capacidade de refletir constantemente sobre a sua auto-compreensão e consequentemente sobre o seu sentido de missão. Numas igrejas temos visto essa preocupação mais que noutras. Em algumas delas, a atualização do conceito de missão se dá de forma condizente com os clamores do mundo moderno. Noutras, nem tanto. Cabe-nos avaliar dentro do contexto maior do cristianismo, até que ponto o protestantismo evangélico no Brasil tem tido essa capacidade de reavaliação, e, se o tem feito, a quais conclusões tem chegado.
2. Modelos históricos de reavaliação do conceito eclesiológico de missão
2.1 Reavaliação do conceito de missão no contexto Católico: de Trento ao Vaticano II
Ao leitor ainda preso às categorias anticatólicas tão presentes no imaginário protestante brasileiro deve parecer insana uma comparação eclesiológica com aquela igreja. Tal metodologia, na verdade, não é minha. A tradição sinótica preservou um aspecto interessante da pedagogia de Jesus o qual desejo copiar aqui. Refiro-me ao uso pedagógico do exemplo “dos que não são” para ensinar “aos que são”. Trocando em miúdos, os evangelistas preservaram a memória onde os ímpios e pagãos são descritos por Jesus como “modelos de fé” para os Filhos de Abraão . Nessa pedagogia, de acordo com algumas parábolas e encontros de Jesus com o diferente, os samaritanos, os romanos e os gregos são apresentados sacrilegamente (aos olhos do judaísmo e do imaginário judaico de então) como exemplos de compaixão e de fé, ou seja, como exemplos de praticantes das grandes virtudes do reino, esperadas dos Filhos de Abraão (veja Mt 8,5-13; Lc 10, 25-37; Lc 17,11-18). Não se trata de uma pedagogia programada. Simplesmente nasce do encontro fortuito com o diferente e do reconhecimento humilde de suas virtudes. O que em Jesus nasce casualmente, em Paulo aparece mais sistematizado como parte de sua teologia, como nesta declaração: “Deus escolheu as coisas loucas do mundo para envergonhar os sábios, e escolheu as coisas fracas do mundo para envergonhar as fortes; e Deus escolheu as coisas humildes do mundo, e as desprezadas, e aquelas que não são, para reduzir a nada as que são, a fim de que ninguém vanglorie na sua presença” (1Co 1, 27-29).
Dessa maneira, no meu modo de ver, a Igreja Católica apresentou uma incomparável capacidade de reavaliação do sentido da missão em relação ao protestantismo evangélico no Brasil neste último século. Obviamente, vários fatores concorreram para isso, sendo o principal a estrutura eclesiológica unificada do catolicismo, ao lado da relativa independência das inúmeras denominações e comunidades evangélicas neste país. Por hora, não nos cabe empreender uma avaliação mais pormenorizada desses porquês.
A Igreja Católica que entrou no século 20 é ainda uma igreja fortemente marcada pelo espírito do Concílio de Trento, que, como já fora observado, consagra-se às medidas para a Contra-reforma. Trata-se de uma Igreja cuja auto-definição principal revela sua verdadeira pretensão: ser Mater et magistra. Nesse modelo está presente a tentadora posição de controladora da vida social, junto ao aparelho estatal, como presente em todo período colonial e padroado. Politicamente, trata-se de uma igreja sempre disposta a confirmar a ideologia da situação, opressora ou não, e legitimar religiosamente o status quo. Liturgicamente conservadora, sobretudo no uso do latim como língua da liturgia. Eclesiasticamente, o modelo piramidal - Magistério/religiosos/fiéis - predomina, embora não tenha sido superado ainda hoje. Em termos de missão, o grande chamado eclesial é o de administração da grande Cristandade e a preservação do passado e da Tradição. As relações inter-religiosas são tensas uma vez que as demais religiões estão para essa igreja como concorrentes, como descaminhos, quando não como heresias da pior espécie, cuja perseguição e o extermínio representam ações lícitas. As relações sociais são vistas no sentido de preservação dos bens simbólicos dessa grande Cristandade, e por isso a mentalidade de conflito em relação aos poderes de opressão inexiste.
Numa fantástica coletânea de artigos dedicados à memória de Dom Helder Câmara, José Comblin caracteriza a “igreja tridentina”, isto é, esta igreja que temos definido como uma igreja arraigada pela influência do espírito pós-Trento, a partir da atuação do bispo fiel a este modelo, que Comblin considera ultrapassado . Na denúncia do “bispo tridentino”, aparecem, para aquele autor, as principais faces dessa igreja:
a) O bispo tridentino é antes de qualquer coisa um administrador: administra o clero e os bens da Igreja, fiscaliza, nomeia, transfere, coordena, castiga, recompensa, estimula uma Igreja estabelecida e considerada como essencialmente estável. Atua dentro de uma Igreja cujo atributo principal é a imutabilidade;
b) O bispo tridentino governa a Igreja com o Direito Canônico na mão. (…) No modelo tridentino, a evangelização do mundo não faz sentido. Supõe-se o mundo já evangelizado, que já passou o tempo da evangelização e que basta agora a disciplina;
c) O linguajar eclesiástico [tridentino] é incompreensível, mesmo para a maioria dos católicos. (…) O linguajar eclesiástico não é ouvido porque não diz nada. Repete a mesma coisa de sempre .
Todavia, o Concílio Vaticano II (1962-1965) representou um importante marco na reavaliação não só do conceito de missão, mas em toda auto-compreensão daquela igreja. É notório que esse concílio ecumênico da Igreja Católica se deu num período de profundas turbulências e transformações no panorama político-social latino americano. Tal período é marcado pelo forte levante das forças políticas de esquerda, sobretudo com a Revolução Cubana e os anseios socialistas que rondavam os países latino-americanos. Concomitantemente, trata-se também de um período de afirmações das forças políticas mais reacionárias, como nas ditaduras instaladas em vários desses países, incluindo o Brasil (1964). Numa palavra, a realidade latino-americana começava a sentir os efeitos reversos das expectativas desenvolvimentistas e a radicalização de um capitalismo cada vez mais dependente das grandes potências norte-atlânticas. No contexto europeu, distintamente dessa realidade de dependência dos países latino-americanos, os grandes dilemas dizem respeito ao processo já em andamento de uma secularização sempre crescente e o sentimento de não-tutelagem por parte da sociedade. É nesse contexto de clamores globais que se dá o Vaticano II. Surge como uma tentativa de adaptar a ação e a presença católica aos clamores do homem contemporâneo. Trata-se do “concílio da abertura”, onde a identidade de uma igreja superposta à sociedade necessita ser revogada para dar lugar a uma encarnação da atividade eclesial à vida e aos clamores da situação. A passagem de Yves Congar parece refletir bem o espírito que alimentou o Vaticano II:
Se a Igreja quer enfronhar-se dos verdadeiros problemas do mundo atual e esforçar-se por esboçar uma resposta…, deve abrir novo capítulo de epistemologia teológico-pastoral. Em vez de partir unicamente do dado da revelação ou da tradição, como geralmente o fez a teologia clássica, deverá partir de fatos e indagações, recebidos do mundo e da história (citado por Gutierrez, 1976, p. 24).
Muito embora este tenha sido o espírito motivador do Vaticano II, não desprezo as críticas dos próprios teólogos católicos quanto às in-apropriações desta igreja em relação às discussões desse concílio. Muitos foram e são críticos em relação a um suposto regresso à mentalidade tridentina após o Vaticano II, e entre esses menciono Leonardo Boff, Dom Helder Câmara, o próprio José Comblin e João Batista Libânio . No entanto, ainda que a Igreja não tenha colhido em toda sua extensão as discussões e as decisões do Vaticano II, isso não anula a importância do mesmo quanto à reavaliação do sentido da missão e suas implicações eclesiológicas. Menciono a seguir uma lista considerável de novas estruturas eclesiais alimentadas pelos ventos do Vaticano II. São elas: a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), fundada por Dom Helder Câmara e que constitui um importante avanço nas relações episcopais no sentido de unificar num organismo institucional o episcopado do vasto Brasil e que hoje é responsável pelas anuais Campanhas da Fraternidade; a Conferência do episcopado latino-americano em Puebla (1968), cujas decisões mais importantes inflamaram os anseios da Teologia da Libertação por voltarem-se todas para a realidade de opressão e miséria das maiorias nesses países; o Movimento Bíblico, cuja grande contribuição fora recolocar a Bíblia na mão do povo (embora a liberdade interpretativa esteja sempre sob os rigores do Magistério); as milhares de Comunidades Eclesiais de Base (CEB’s) espalhadas pelo Brasil e cujos anseios, de acordo com Leonardo Boff, refletiam uma nova maneira de ser Igreja (Católica) no Brasil - uma eclesiogênese -, mais descentralizada em termos de poder, mais afeita à participação efetiva dos leigos e mais engajada nos problemas concretos das maiorias pobres; as diversas Pastorais Civis, como a Pastoral da Terra, Carcerária, Universitária e da Criança, que representam a encarnação da igreja nos dilemas mais profundos da sociedade civil; além dos muitos grupos sem vínculo institucional, porém imbuídos do mesmo espírito e amparados pela participação de representantes oficias da Igreja, como as Comissões Justiça e Paz e o Conselho Indigenista Missionário.
Não resta dúvida que todas essas novidades eclesiais geradas sob a influência e as expectativas do Vaticano II representem um importante avanço na auto-compreensão e na reavaliação do sentido de missão e de presença no mundo. Em relação àquela “igreja tridentina” superposta à sociedade, a igreja do Vaticano II deseja ser, segundo o apelo de Congar, uma igreja enfronhada nos verdadeiros problemas do mundo e sedenta por lhes apresentar uma resposta condizente. Mais uma vez, se concretamente não se vê no catolicismo de então a encarnação desses ideais em toda sua plenitude, e se restam ainda fortes resquícios da igreja tridentina, não se nega que as novas estruturas eclesiais mencionadas representem um avanço eclesiológico inigualado pelo protestantismo até agora.
2.2 Reavaliação do conceito de missão no contexto Protestante:
da síndrome dos números à eclesiologia integral
Nossa avaliação até aqui, embora esteja preocupada em fazer as devidas relações com o todo do fenômeno protestante em nível mundial, deve ater-se à realidade desse fenômeno no Brasil. Destarte, desde já vale ressaltar uma das mais importantes constatações acerca disso: nunca houve “O Protestantismo Brasileiro”, como um grupo homogêneo, coeso, um bloco sólido e unificado que representasse a fé protestante por aqui. Já sua inserção no Brasil se dá de maneira parcelada, em blocos, em tipos que sucederam um ao outro em sua chegada ao Brasil. Das muitas tentativas de tipologia do fenômeno protestante no Brasil, creio ser a mais ajustada aos nossos dias a classificação de Martin N. Dreher, por alcançar a totalidade das igrejas evangélicas brasileiras, mesmo aquelas que não pertençam a nenhuma convenção, junta ou corpo denominacional organizado. Sem me estender nessa tipologia, menciono rapidamente, por ordem de aparecimento, os cinco tipos protestantes apresentados por Dreher: (1) protestantismo de imigração; (2) protestantismo de missão; (3) pentecostalismo; (4) neopentecostalismo; e (5) grupos transconfessionais .
No entanto, mesmo sem nunca ter tido uma unidade estrutural, as igrejas protestantes brasileiras estiveram desde cedo unidas por um “princípio invisível” que a todas perpassava: o sentimento de antagonismo ao catolicismo, que temos chamado de anticatolicismo. Interpretado como o elemento de atraso da sociedade brasileira, o catolicismo sempre se constituiu como o principal adversário dessas igrejas , levando-as a instituir o proselitismo como uma de suas principais atividades eclesiais. Chegado ao Brasil sem um povo, a necessidade do crescimento numérico por meio do proselitismo sempre constituiu um desafio à sobrevivência dessas igrejas. De outra maneira, o catolicismo também sempre se constituiu como uma espécie de “contra-imagem” do que representa ser cristão. Se o católico é aquele que fuma, bebe, joga e não economiza, o protestante é aquele não pratica nada disso. Se ao católico é aconselhável participar ativamente da vida política do país, ao protestante cabe uma participação passiva, reduzida quando muito à oração pelas autoridades, que, segundo essa fé, são sempre instituídas por Deus. Em termos atuais, trata-se de uma espiritualidade reacionária, perigrinacionista, que mais legitima o status quo do contesta-o.
Todavia, chegamos ao século 21 e as coisas já não andam do mesmo jeito. Muito dessa identidade foi revisada pelas formas emergentes do protestantismo evangélico brasileiro de agora, que já se vê fortemente presente na política do país, e que vai trocando cada vez mais seu ranço anticatólico por outros ranços, que só o tempo dirá se válidos ou não.
Aqui cabem alguns questionamentos importantes:
a) Quais chances tiveram as igrejas protestantes no Brasil para reavaliar o sentido de sua missão?
b) Se a identidade protestante de grande parte do século 20 já não pode ser totalmente comparada à de agora, em que consistiu tal revisão e em que isso implicou para o conceito de missão?
c) Em que sentido o novo conceito de missão do protestantismo evangélico brasileiro condiz com os anseios e clamores da atual conjuntura?
d) Há ainda alguma nova síntese a se realizar no protestantismo evangélico brasileiro?
Quero apresentar sucintamente minha avaliação frente a esses questionamentos:
1. À questão a são possíveis, no mínimo, duas respostas. Uma tem a ver com elementos relacionados ao próprio protestantismo brasileiro internamente. A outra tem a ver com sua relação com o todo do protestantismo no mundo. Indubitavelmente o protestantismo evangélico brasileiro perdeu uma enorme oportunidade de reavaliação do sentido da missão evangélica quando muitas de suas forças institucionais abafaram os movimentos progressistas que começavam a ensaiar novos modelos eclesiológicos mais integrais em meados da década de 1950 e início da década de 1960. Tratava-se de grupos de estudantes e também muitos pastores tocados pela necessidade de ajustar as atividades eclesiais de suas igrejas ao forte apelo da sociedade, já marcada intensamente pela miséria e desigualdade. A Conferência do Nordeste em 1962 é a demonstração mais persuasiva desse anseio, que, infelizmente, se viu abafado pelas representatividades oficias e gestoras dessas igrejas, sobretudo em função do golpe militar de 1964. Esses acontecimentos representavam o anseio de revisão do conceito de missão evangélica e da presença e atuação dessas igrejas no país. Outro evento, este já de porte mundial, que marcou uma interessante oportunidade de revisão missiológica por parte do protestantismo em todo o mundo, foi o Congresso de Lausane, em 1974. De acordo com o teólogo equatoriano C. René Padilla, um dos resultados mais valiosos do Congresso foi o Pacto de Lausane, um documento de 2700 palavras, em quinze seções, redigidos sob a direção de John Stott . Conforme Padilla (2005, p. 10), “com este Pacto os evangélicos tomaram posição contra um evangelho mutilado e um conceito estreito da missão cristã”. Não obstante, é sabido que no seio do protestantismo evangélico brasileiro quase nada se colheu desse evento. Mais ousadamente, eu diria que pouquíssimos, mesmo entre os líderes evangélicos, sabem desse evento. Infelizmente.
2. À questão b pode-se responder da seguinte maneira: a identidade protestante de agora, no meu modo de ver, é ainda mais alienante que outrora, quando o anticatolicismo constituía sua principal marca. De maneira simplificada e descontraída, pode-se dizer que os protestantes brasileiros deixaram de lado sua inimizade com os “ídolos do catolicismo” para se amigarem com os principais “ídolos da cultura moderna”: o poder, o dinheiro e o mercado. Certamente isso traz conseqüências inevitáveis para o conceito de missão dessas igrejas. Embora a ânsia proselitista permaneça sendo uma de suas marcas, juntamente com a síndrome dos números (abertamente refletidas em todos esses novos modelos eclesiológicos importados como a Igreja em Células, o Igreja com Propósitos, e afins), é parte integrante do conceito atual de missão nessas igrejas a relação estreita e institucionalizada com o poder de Estado, com a gerência de setores do mercado capitalista e com a gerência de uma parcela da imprensa, enquanto importante poder de formação de opinião pública. Alienadas da vocação evangélica, tais iniciativas eclesiais constituem-se sem exceção como co-promotoras da exclusão social geradas por todas essas faces de manipulação do poder que listamos acima.
3. Quanto à questão c, restrinjo-me a dizer que tal reavaliação do conceito de missão e presença da igreja no país, como visualizado no protestantismo evangélico de agora, pouco condiz com os anseios e necessidades da sociedade brasileira. O protestantismo evangélico brasileiro de agora cresce assustadoramente em termos numéricos, mas cada vez mais diminui em termos de representatividade relevante em meio à sociedade. Os índices apresentados pelo IBGE no Censo 2000, que apontavam naquela época para 15,6%, isto é, quase 26 milhões de cristãos evangélicos no Brasil, ainda não apresentaram seu fruto em termos de mudanças estruturais na sociedade brasileira. Por outro lado, em lugar das mudanças na sociedade acompanharem o crescimento evangélico no Brasil, este tem sido acompanhado pela descredibilidade sempre crescente das formas institucionais de religião, sobretudo em virtude da atividade política da “bancada evangélica” e dos incontáveis escândalos em todas as áreas envolvendo líderes de diferentes denominações.
4. A questão d é a mais desafiadora de todas. A ela dediquei todo um artigo num outro lugar . Apresento aqui, resumidamente, as conclusões a que cheguei naquela oportunidade. Fora o elemento institucional que me liga ao protestantismo de missão, creio ser este o grande portador da chance de produzir as novas sínteses protestantes no Brasil, e isso por alguns motivos mais que pessoais. O primeiro desses motivos é a irreversível fragmentação dessas igrejas (batista, presbiteriana, metodista, episcopal, etc.) rumo à sua extinção enquanto instituições religiosas. Por mais que este prognóstico se revista de um pessimismo intolerante, deve-se pensar que tal pessimismo está calcado na realidade cotidiana dessas igrejas, confirmada por qualquer pesquisa estatística nessa área. Trata-se, também, de uma questão de sobrevivência. Ao ver-se nessa “encruzilhada existencial”, o protestantismo de missão no Brasil pode encontrar o caminho de uma nova síntese que ao mesmo tempo lhe revitalize e seja condizente com os anseios e clamores da sociedade brasileira, espoliada pelas inúmeras modalidades de injustiça e exclusão que existem. Em segundo lugar, apenas o protestantismo de missão pode realizar tal síntese partindo de dois momentos de reflexão séria: primeiro, a reflexão acerca da esterilidade dessa missiologia evangélica atual, para que essa seja uma tentação que não o seduza; segundo, tal síntese exige o destronamento da própria ideologia desse protestantismo de missão, atada ainda às suas matrizes norte-atlânticas, caracterizadas principalmente pela flutuação em relação aos problemas mais sérios da sociedade brasileira. Sob essas condições, ou seja, na renúncia aos modelos de crescimento numérico convencionados de maneira incondicional pela maioria das igrejas de hoje e na renúncia também de sua própria maneira de ser igreja, o protestantismo de missão pode experimentar uma nova vitalidade, mais afeita ao espírito evangélico e mais engajada nas mazelas deste país.
Vale insistir na tese de que o melhor conceito eclesiológico de missão não é aquele que é deduzido de maneira mais inequívoca do NT, mas aquele que é capaz de reavaliar-se sempre à luz dos novos desafios do contexto. Enquanto o protestantismo evangélico no Brasil não se der conta dessa verdade, o exemplo “dos que não são” continuará servindo “aos que são”, como ensinou com paixão Jesus de Nazaré.
3. Pistas para a pastoral
É enorme o desafio que os/as pastores/pastoras e líderes protestantes têm no Brasil em termos de missão. Como essas igrejas não contam com uma estrutura unificada como no catolicismo, cabe a cada uma delas elaborar por si mesmas essas reavaliações. O Brasil dispõe de todos os aspectos negativos que convocam à vivência de um evangelho mais integrado e inserido socialmente. Perduram entre nós os piores indicadores sociais, resumidos na péssima distribuição de renda, na péssima ocupação da terra e o conseqüente problema da habitação, na criminalidade galopante, nas péssimas condições de saúde da maioria da população, acrescidos ao insistente problema da educação. Todos esses indicadores sociais desfavoráveis ganham realce na realidade urbana. Ali os contrastes deixam de ser estatísticas frias e assumem as cores vivas e quentes em imagens que nos enchem de indignação e retratam fielmente os níveis de desigualdade que grassam em nossa sociedade. Em minha opinião, é profundamente escandalizador que essa realidade toda não conste em nossos programas missionários. Mais ainda, a ausência dessa inserção denuncia silenciosamente que a alcunha de “evangélicos” é usurpação do termo. Qualquer leitura atenta dos Evangelhos evidenciará que o alvo da libertação é todo o homem e o homem todo, incluindo a realidade que lhe cerca .
Para que não transpareça a idéia de que essas igrejas devem diluir sua identidade em função dos desafios sociais (deixamos claro que não é essa nossa posição no capítulo 2), cabe iniciar essas pistas à pastoral relativas à reelaborarão do conceito de missão dizendo que permanece sendo imprescindível a dimensão do anúncio das Boas Novas do Evangelho ao homem como sujeito, pecador e carente de redenção pessoal. Não prescindimos da idéia de que a experiência do Evangelho se configura como um chamado pessoal a cada homem e a cada mulher. Como o fermento que leveda toda massa, a partir dos encontros pessoais esse projeto de uma nova sociedade vai ganhando corpo, e a antecipação histórica do reino pode ir sendo ensaiada. O homem, sujeito privado e solitário em sua experiência pessoal, necessita conectar-se novamente à fonte de onde se encontra alienado e distante, e essa experiência só se dá no nível da subjetividade, jamais podendo resultar de esforços objetivos a ele impostos. É como convicção pessoal e alimentado somente por isso que o sujeito pode compreender e cooperar nesse plano maior que prevê uma nova realidade. Não se consegue isso por procuração nem por objetivações de quaisquer espécies. Por tudo isso é imprescindível aquele modelo de evangelização sujeito a sujeito, onde os aspectos da redenção pessoal são enfatizados. Essa é, a meu ver, uma das conquistas perenes do Protestantismo e nenhum programa de revisão do conceito de missão pode prescindir dela.
Todavia, aos teólogos/teólogas, pastores/pastoras e líderes que conduzem essas igrejas já extrapolou o momento de perceberem que tal modelo de evangelização é somente um dos aspectos da missão, não sendo nem mesmo o prioritário, já que não há hierarquias e prioridades na missão eclesial conforme os Evangelhos. Caso as igrejas compreendam a si mesmas não mais como concretizações do reino, mas como ensaios antecipatórios da nova humanidade, o conceito de missão e de evangelização necessitará elastecer-se. Reiteramos a sugestão de Yves Congar quanto à necessidade de que as igrejas têm de “enfronhar-se dos verdadeiros problemas do mundo atual e esforçar-se por esboçar uma resposta, abrindo novo capítulo de epistemologia teológico-pastoral. Em vez de partir unicamente do dado da revelação ou da tradição, como geralmente o fez a teologia clássica, deverá partir de fatos e indagações, recebidos do mundo e da história”. A missão deverá incluir uma reverberação das dores do mundo no interior das igrejas. Em linguagem bíblica trata-se de “se alegrar com os que se alegram e chorar com os que choram” (Romanos 12,15), e em nosso caso os motivos são muitos mais abundantes quando se trata de chorar com os que choram. O modelo missionário fundado no arquétipo da Arca de Noé - bem vivo nas igrejas do protestantismo evangélico brasileiro - onde a Igreja “flutua em direção à salvação sobre as ondas bravias da humanidade” deve ser abandonado. No lugar dele, urge a irrupção de um modelo onde as igrejas “mergulhem nas águas e sintam junto com os demais a possibilidade da morte”, e assim sintam-se motivadas a dar sua contribuição conjunta na salvação de todos. Mas, na prática, como é possível seguir a indicação de Congar e enfronhar-se dos verdadeiros problemas humanos?
Primeiro, tal tarefa só é possível a partir de um conhecimento lúcido das chagas estruturais que afligem a sociedade. Cada contexto particular apresentará uma configuração distinta que merecerá tratamento diferenciado. Isso, entretanto, não se faz sem um adequado instrumental de análise. Tradicionalmente a Filosofia sempre constou como parceira privilegiada no diálogo com a fé e com a Teologia. A partir da década de 1950 teólogos protestantes se deram conta de que a Filosofia havia se tornado insuficiente enquanto parceira epistemológica da fé para confrontar a realidade de cativeiro, de subdesenvolvimento e de dominação em que se encontravam os países latino-americanos. Desde então as Ciências Sociais têm sido encaradas como o instrumental analítico que mais se adequada à perspectiva cristã e evangélica de leitura da nossa realidade continental. As Ciências Sociais compreendem em seu quadro a Sociologia, a Economia e a Ciência Política. Os dados que essas análises fornecem acerca da realidade social são extremamente fecundos para a Teologia e para a missão engajada por dois motivos: (1) por descreverem com precisão as anomalias sociais com dados estatísticos e análises especializadas; (2) e, além disso, por apresentarem as causas estruturais das disfunções sociais. Pastores/pastoras e líderes fazem muito bem em acessar a esses dados e pesquisas. Perverterão assim seu chamado e vocação? De nenhum jeito! Instrumentalizarão o Evangelho em função de causas estranhas? De forma alguma! Do contrário, se utilizarão de instrumental analítico especializado que converge para os mesmos temas e prioridades evangélicos: a dignidade da pessoa humana (e da sociedade) como imagem de Deus .
Em seguida a esse momento de leitura da realidade mediado pelos devidos instrumentais de análise, pode-se empreender um programa de inserção nas instâncias organizadas da sociedade civil. Tem sido uma enorme tentação para líderes evangélicos optarem pela inserção na institucionalidade político-partidária. Quero evitar toda polêmica em torno dessa atitude e apontar as institucionlidades organizadas da sociedade civil com outra via de inserção social, tais como as ONG’s, as associações de bairros, os centros comunitários, os Conselhos Municipais de Saúde e Educação e etc. Em minha maneira de ver, a inserção social por essa via oferece algumas vantagens de ordem prática e de ordem moral. Do ponto de vista da práxis, a presença de pastores e pastoras nessas organizações põe-nos diretamente conectados com a realidade popular. Nesses encontros e reuniões tem-se a oportunidade de ouvirem-se relatos, partilhar-se idéias, dividirem-se anseios pessoais e comunitários que podem lançar pistas interessantes à uma práxis engajada e relevante. Já do ponto de vista moral, a inserção nessas instâncias da sociedade civil por parte de pastores e pastoras proporciona menos chances de corrupção pessoal ou de submissão a ideologias contrastantes com a ideologia pessoal do pastor ou da pastora. Num contexto de desconfiança crescente no tocante à idoneidade das autoridades religiosas, isso não deixa de ser uma grande vantagem. Não obstante, não compreendemos essa tarefa como sendo exclusiva a pastores/pastoras e líderes. Na verdade, trata-se de um chamado concomitante a toda comunidade de fé, incluindo aqueles e aquelas que não possuem status de liderança.
Tudo isso implica no rompimento de uma das históricas dificuldades das igrejas que compõem o protestantismo evangélico no Brasil: a eliminação das fronteiras entre igreja e sociedade. Nesse imaginário subjaz ainda a imagem da Arca de Noé, da Cidade de Deus em antagonismo com a cidade dos homens, para usar linguajem agostiniana . Uma honesta reavaliação do conceito eclesiológico de missão deve levar esse problema em consideração. Constitui escândalo o fato de que os “sem voz” não encontrem na comunidade do Evangelho lugar para sua voz. Falam ali o catedrático, o diplomado, o candidato, mesmo quando não são membros formais. Não falariam também aqueles a quem Jesus comparou a si próprio? Não falariam ali o pobre, o nu, o doente, o forasteiro, com quem Jesus identificou-se diretamente (Mateus 25,31-46)? É dever de pastores/pastoras e líderes abrir esse capítulo da dinâmica de suas comunidades. Afinal, creio que seja veraz a afirmativa de que “a Igreja, em muitas partes, constitui o único lugar legal onde se pode exercer a palavra livre e crítica, e onde se podem realizar os laços mínimos de sociabilidade” (BOFF, op. cit., p. 43). Se isso já vem acontecendo em termos das “membresias” das igrejas locais, por que não estendê-lo à comunidade como um todo? Também as experiências que já se fazem nesse sentido têm-se mostrado profundamente profícuas, e em lugar de corromperem o Evangelho, resgatam sua dimensão profético-periférica e fontal junto aos pobres.
Para finalizar essa seção de pistas à missão eclesial-pastoral, sugere-se aos pastores/pastoras a promoção sistemática de atividades práticas que não só remediem os fatos da desintegração social, como a pobreza, o analfabetismo, a fome e o problema das drogas, por exemplo, mas também previnam contra esses fatos e promovam libertação. Essas atividades podem constar do cronograma eclesial, assim como constam as atividades evangelísticas e discipulares. Geralmente essas igrejas contam em seu quadro de membros com profissionais de áreas específicas que podem oferecer seus serviços nessas atividades, como médicos/médicas, enfermeiros/enfermeiras, assistentes sociais, e etc. É dessa forma que a comunidade vai construindo paulatinamente uma práxis integrada e relevante, e vai se tornando parceira da comunidade no processo de humanização condizente com o Evangelho. O pentecostalismo parece ter invertido a fórmula basilar da Teologia da Libertação, que versava sobre a opção preferencial pelos pobres. Tem-se dito que a Teologia da Libertação fez opção preferencial pelos pobres e os pobres fizeram opção preferencial pelo pentecostalismo. Não seria o momento de uma nova inversão preferencial de todo protestantismo evangélico brasileiro em relação aos pobres?
40 dias de propósitos
Chegamos ao final da nossa jornada espiritual! Foram quarenta dias refletindo e vivenciando os propósitos de Deus. Atingimos o nosso objetivo principal que era o de criar os grupos de convivência. As bases foram montadas, agora compete a cada irmão se empenhar ao máximo para que este ministério se efetive realmente em nossa igreja.
Quero aproveitar o ensejo para agradecer. Permitam-me destacar alguns nomes: Sou profundamente grato aos lideres dos grupos de convivência que abriram seus corações e casas para receber as reuniões da campanha. Não posso deixar de mencionar o empenho e dedicação de Luciana e demais irmãs envolvidas no cadastramento, venda das camisas e livros. Aos grupos de coreografia e dança pelas belíssimas apresentações. A Juliano, pelo gosto refinado na confecção de todo material Logístico da campanha. A Josué e Rovenate (tesouraria) que dão credibilidade aos projetos apresentados pelo ministério pastoral. As coordenadoras da EBD- Iracema, Roberta e equipe- pela articulação da gincana e esmero na fazer pedagógico (educação religiosa) da nossa igreja. A cizinho e Everton (Tom) pela programação dos cultos e eventos. Ao Pr. Erivaldo Andrade, pela organização dos grupos de convivência da igreja e congregações. A Claúdia Bastos, pelo trabalho diário realizado na secretaria. Aos dirigentes de culto pela disponibilidade em servir ao Reino de Deus. Ao ministério de oração, por ter colocado diuturnamente as nossas vidas diante do Senhor. Enfim, a todos que participaram efetivamente da campanha (lendo o livro, ouvindo as ministrações no domingo e participando de um grupo de convivência).
Por conseguinte, meu desejo e esperança é que a nossa igreja continue: Promovendo o prazer de Deus por meio da ADORAÇÃO, experimentando a vida com os irmãos por meio da COMUNHÃO, crescendo espiritualmente para ser mais semelhante a Cristo por meio do DISCIPULADO, servindo as necessidades do próximo por meio do SERVIÇO, compartilhando as boas novas de Deus por meio do EVANGELISMO.
Pensando em Serviço IV
Servir não é fácil, principalmente com a natureza humana decaída. Somos tentados a vivermos um cristianismo que não põe em prática a mensagem que prega, um cristianismo ufanista, de somente cantar, erguer as mãos e coreografar. Ao olharmos atentamente os Evangelhos, somos chamados a viver um cristianismo prático que alcança a todo homem e ao homem todo.
Diante do mundo que nos cerca há uma pergunta inquietante: Por que a Igreja existe? Ela está neste mundo apenas como agência celestial, onde a única preocupação é mostrar o céu, ou está neste mundo para ser um exemplo vivo de Jesus Cristo? A minha grande preocupação é que os cristãos achem que servir a Deus se resume apenas numa celebração, em que se canta, ora e ouve uma mensagem, e assim o coração de Deus é acalmado. Eu creio que não fomos chamados para isso somente. Há um clamor na Palavra de Deus para que sirvamos o Senhor em todos os momentos de nossa vida.
A partir do momento que aceitamos a Cristo, o Espírito Santo entra em nosso coração e com isso Ele nos dá dons espirituais. Estes dons são capacitações divinas que Deus nos dá com um duplo propósito: Servir a Deus e ao próximo. Não pense você que dons são para ser exercidos apenas nas quatro paredes de um templo. Aqui no templo celebramos a presença de Deus. Mas quando saímos há um mundo que espera o nosso serviço abençoador que pode mudar a história de muitas pessoas. A idéia é simples: Entramos para adorar; Saímos para servir. Este com certeza é o propósito de Deus para nossas vidas. E como posso começar a me dispor nas mãos de Deus? É simples. Basta você seguir os passos de Jesus. A orientação e o exemplo Ele já nos deu, e agora nos convida a fazer o mesmo.
Servir implica ser o último e não o primeiro, e Jesus fez isso quando Ele desceu do céu, deixou Sua glória e majestade tornando-se um de nós. Se você deseja aprender a servir é bom aprender a deixar seus interesses e ver o dos outros, a colocar de lado seus planos e ajudar outros com os planos deles. Servir implica em pensar no outro e para o outro. Jesus pensou em e para nós. Por isso pense onde você pode ser uma grande bênção de Deus para outras pessoas. A escolha é só sua: ser ou não ser servo de Deus.



